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Vorcaro a Moraes dias antes da prisão: ‘Acha que 2ª tenho que estar fora?’
Foto: Luiz Silveira/STF

Uma troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sugere que eles discutiam a possibilidade da Polícia Federal deflagrar uma operação que teria o banqueiro como alvo.

O conteúdo das mensagens foi revelado pelo jornal Estado de S. Paulo e confirmado pela reportagem da Band.

Conforme o relatório da Polícia Federal, tornado público pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master na Suprema Corte, eles trocaram mensagens em 15 de novembro de 2025, ou seja, dois dias antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.

Em 17 de novembro do ano passado, Daniel Vorcaro foi preso pela Polícia Federal enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galípolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”, diz o conteúdo das mensagens.

No dia seguinte, Vorcaro questiona Moraes se eles conseguiriam se encontrar em algum horário. “Às 14h então, passo na sua casa ou prefere na minha?”.

"Muita sacanagem isso. Estou perplexo e indignado. Esses caras vão destruir todo o negócio e sem volta. De repente até melhor eu encarar de frente. Temos que dar um jeito de desarmar isso meu Deus”.

Decisão de André Mendonça

Em decisão proferida nesta terça-feira (1) o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou o levantamento definitivo do sigilo sobre os autos da Petição 16.662.

A ação penal apura as atividades de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, incluindo as apurações sobre mensagens do banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

De acordo com relatórios da Polícia Federal, Vorcaro teria montado uma rede de monitoramento e influência com potencial de infiltração nas mais elevadas instâncias de diversas instituições públicas do país. A suspeita é de que o grupo utilizava informações sigilosas para obter vantagens em negociações econômicas suspeitas e, preventivamente, planejar uma fuga coordenada caso as autoridades descobrissem o esquema.

Nesta terça-feira (1), André Mendonça pediu à Procuradoria-Geral da República (PGR) "informações complementares" sobre uma investigação da Polícia Federal (PF) que aponta troca de mensagens entre o banqueiro e Alexandre de Moraes, ministro do STF.

O material aponta que o empresário citou ao ministro a necessidade de "ter proteção de Andrei e Paulo". Delegados afirmam que as referências são a Andrei Mendonça, diretor da corporação, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República.

As provas encontradas no celular

As principais suspeitas da PF foram extraídas da análise técnica realizada no aparelho celular de Daniel Vorcaro, apreendido em fases anteriores da operação. As mensagens mostram diálogos do empresário com um interlocutor ainda não identificado pela polícia.

Com base nessas conversas, a perícia aponta que Vorcaro tinha conhecimento prévio e detalhado sobre:

  • Investigações criminais sigilosas que tramitavam na 10ª Vara Federal do Distrito Federal;
  • Procedimentos de fiscalização e apurações em curso no Banco Central (BACEN) que estavam prestes a ser analisados pela diretoria do órgão;
  • Articulações para intervir junto a autoridades públicas responsáveis por tomar decisões nesses processos de seu interesse.

Julgamento aberto no plenário do STF

Ao derrubar o segredo de Justiça, o ministro André Mendonça destacou que, no modelo democrático e republicano adotado pela Constituição de 1988, a regra para decisões judiciais é a transparência pública. Ele reforçou que a legislação brasileira proíbe a imposição de sigilo quando a medida "prejudique o interesse público à informação".

O ministro também ressaltou que o destino inevitável do caso é o plenário do Supremo Tribunal Federal, onde os novos elementos trazidos pela Polícia Federal serão debatidos de forma aberta e estritamente técnica. O processo agora foi enviado para análise e manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Fonte: Band.
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