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Voepass: famílias de vítimas do voo têm acesso às conversas da caixa-preta
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

As famílias das 62 vítimas do acidente aéreo com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em agosto de 2024, tiveram acesso às transcrições dos áudios armazenados na caixa-preta da aeronave. O encontro ocorreu nesta semana na sede da Polícia Federal em Campinas, no interior de São Paulo, onde os representantes das famílias estiveram acompanhados por seus advogados.

Muito abalados, os familiares optaram por não escutar as gravações originais, preferindo ler apenas o que estava escrito nos documentos transcritos.

Após a reunião, a Polícia Federal e os parentes das vítimas decidiram não conceder entrevistas à imprensa sobre o conteúdo revelado nem sobre o andamento das investigações.

Expectativa e linhas de investigação

Uma das expectativas das famílias era verificar se os pilotos mencionaram alguma falha no sistema de degelo da aeronave durante o voo. Desde o início, os problemas relacionados a esse sistema figuram como uma das principais linhas de investigação das autoridades.

De acordo com os advogados que acompanham o caso, os áudios da cabine integram um material complexo que pode resultar em futuros indiciamentos.

Durante a reunião, as famílias também conheceram o laudo técnico elaborado pelo Instituto Nacional de Criminalística. O documento serve de base para a fase final do inquérito da Polícia Federal, cuja conclusão está prevista para acontecer nos próximos 30 dias. Os familiares seguem no aguardo por respostas e pela responsabilização penal dos envolvidos nos próximos meses.

Relembre o caso

O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) na tarde de 9 de agosto de 2024. A bordo, estavam 58 passageiros, quatro tripulantes e um animal de estimação que pertencia a uma família venezuelana.

Durante o voo, o turbohélice bimotor ATR 72-500 enfrentou condições favoráveis à formação de gelo nas asas. Segundo o CENIPA, o sistema de detecção de gelo foi acionado diversas vezes ao longo do voo e, nos minutos finais, o avião passou a emitir alertas indicando perda de desempenho e a necessidade de aumentar a velocidade.

Segundos depois, foi registrado na cabine um aviso de estol, situação em que a aeronave perde a sustentação necessária para continuar voando normalmente.

Em seguida, os pilotos perderam o controle do avião, que entrou em um movimento de giro descontrolado chamado de “parafuso chato”, até cair sobre um condomínio residencial em Vinhedo, no interior de São Paulo. Todos os ocupantes morreram.

Fonte: Band.
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