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Violência contra crianças no Brasil salta 125% em cinco anos

Os registros de violência contra crianças e adolescentes saltaram 125% no Brasil entre 2020 e 2025, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), banco do Ministério da Saúde que concentra os casos de doenças e violências documentados pela rede de saúde.

O avanço acende o alerta para a importância da rede de proteção na identificação de abusos, já que a maior parte das ocorrências acontece dentro de casa e envolve vítimas sem autonomia para buscar ajuda.

A alta ocorreu em todas as regiões do país no período analisado, mas o Nordeste teve a maior variação percentual, com crescimento expressivo de 1.200%. Na sequência aparecem o Norte (809%), o Centro-Oeste (508%), o Sul (421%) e o Sudeste (221%).

Segundo especialistas, os índices refletem, de um lado, uma rede mais preparada para identificar e registrar os casos e, de outro, reforçam a real dimensão do problema.

violência sexual liderou os registros, presente em 34% deles. Casos de negligência e abandono aparecem em seguida, com 33,3%, seguidos da violência física, com 32,9%. A análise mostra que a adolescência concentrou a maior parcela das notificações: foram 294 mil registros, 43% do total.

A primeira infância, de crianças com até 6 anos, responde por 37% dos casos (256,6 mil), e a segunda infância, entre 7 e 12 anos incompletos, por 20% (135 mil). As meninas e adolescentes do sexo feminino são maioria entre as vítimas, com 62% dos registros, enquanto os meninos aparecem em 38%.

Para a assistente social Luciana Xavier, parte das vítimas permanece invisível justamente por estar submetida a situações como o trabalho infantil e a adultização precoce.

"Nossas crianças, muitas vezes, submetidas ao trabalho escravo infantil, à adultização. Então, ser adulto e pré-adolescente. São aqueles que realmente são os últimos a serem vistos", afirma.

Quando um menor de idade não consegue contar o que está acontecendo, cabe aos adultos perceber que há algo errado. Professores, médicos, assistentes sociais e outros profissionais fazem parte dessa rede de proteção, e cada suspeita investigada pode representar o fim do ciclo violento e o início de um processo de acolhimento.

A coordenadora executiva da Associação Humana Povo para Povo Brasil, Lilian Pitanga, destaca o papel das famílias e das comunidades nesse enfrentamento.

"Buscamos que cada pessoa, que cada comunidade, cada criança, adolescente possa conhecer verdadeiramente o seu direito, o seu lugar e o acolhimento. E nós pensamos também no cuidado. E cuidado é quem cuida, que são as mães, os pais, a comunidade, para que eles tenham protagonismo, para que se fortaleçam nesse processo, nesse enfrentamento às violências", diz.

Fonte: Band.
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