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Veja o que os EUA taxaram e isentaram no tarifaço de 25% contra o Brasil
luzitanija/ Adobe Stock

Os Estados Unidos confirmaram nesta quarta-feira (15) a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, que se soma à alíquota geral de 10% já em vigor – elevando a taxação a 35% para os itens atingidos. A medida, anunciada pelo representante de Comércio, Jamieson Greer, encerra uma investigação de um ano e passa a valer na próxima quarta-feira, 22 de julho.

A ação prevê uma extensa lista de exceções: os principais produtos do agronegócio brasileiro exportados aos Estados Unidos, como café, carne bovina e suco de laranja, ficaram de fora da sobretaxa. Já o etanol, alvo recorrente das queixas americanas, foi incluído na cobrança.

Segundo o documento oficial publicado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), a isenção alcança produtos considerados matérias-primas essenciais, itens sem oferta suficiente fora do Brasil ou que poderiam causar disrupção na economia americana caso taxados.

Produtos isentos (fora da tarifa de 25%)

Entre os itens que não sofrerão a cobrança adicional estão:

  • Café — em grão, torrado e também o café solúvel sem sabor (instantâneo);
  • Carne bovina — fresca, refrigerada e congelada;
  • Suco de laranja e outros sucos de frutas;
  • Cacau e derivados;
  • Frutas como manga, abacaxi, melão e mamão;
  • Mel orgânico;
  • Petróleo bruto;
  • Minério de ferro;
  • Ferro-gusa e sucata de ferro e aço;
  • Celulose (pasta de madeira, exceto a de alta pureza para dissolução);
  • Aeronaves civis, motores, partes e simuladores de voo;
  • Alumínio, aço e cobre e derivados já sujeitos a outras tarifas (Seção 232);
  • Veículos de passageiros e comerciais e suas autopeças;
  • Produtos de madeira e semicondutores;
  • Fertilizantes, metais preciosos, pedras e minerais diversos;
  • Medicamentos e insumos farmacêuticos;
  • Roupas usadas e materiais informativos;

Produtos taxados (dentro da tarifa de 25%)

Entre os itens que passam a pagar a sobretaxa estão:

  • Etanol – o combustível é uma das justificativas centrais da medida americana, que alega falta de reciprocidade no acesso ao mercado brasileiro;
  • Açúcar;
  • Calçados;
  • Tabaco;
  • Celulose de alta pureza para dissolução, retirada da lista de isenções após pedidos de produtores americanos;
  • Máquinas, equipamentos e demais manufaturados não incluídos nas exceções

Durante as negociações, encerradas nesta semana, as autoridades brasileiras chegaram a propor reduzir tarifas sobre o etanol em troca de maior acesso ao açúcar no mercado americano, mas a oferta foi descartada pelos Estados Unidos.

Washington justifica a medida acusando o Brasil de práticas nocivas às empresas americanas em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — com destaque para o Pix —, propriedade intelectual, aplicação insuficiente das normas anticorrupção e desmatamento ilegal.

O governo brasileiro classifica as tarifas como injustas e rebate os argumentos técnicos, especialmente sobre o desmatamento, cujos números oficiais, segundo o Planalto, indicam o contrário.

A sobretaxa pode não ser a última: os Estados Unidos podem aplicar mais 12,5% de tarifas por uma acusação de que o Brasil estaria falhando em coibir casos de trabalho forçado. A decisão está prevista para até 24 de julho.

O novo entrave ocorre em um momento de fragilidade nas trocas entre os dois países. No último ano, as exportações brasileiras aos Estados Unidos atingiram o menor nível em três décadas, representando 9,3% do total exportado pelo Brasil.

Diante do cenário, o Brasil e o Mercosul buscam diversificar parceiros, com o acordo com a União Europeia e negociações com Japão, Índia e Canadá.

Fonte: Band.
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