O mês de janeiro de 2026 marca um avanço histórico para a saúde pública no Brasil com o início da distribuição das primeiras doses da vacina contra a dengue desenvolvida integralmente pelo Instituto Butantã.
O imunizante, que é 100% nacional, traz como principal diferencial estratégico a aplicação em dose única, o que aumenta a eficiência das campanhas de vacinação ao dispensar a necessidade de reconvocação para uma segunda etapa.
Nesta fase inicial, o cronograma prevê a distribuição de 300 mil doses prioritariamente para profissionais da saúde em todo o país. Ao todo, o Ministério da Saúde já organizou a aquisição de quatro milhões de doses junto ao fabricante para dar continuidade ao plano de imunização.
Municípios-piloto e estratégia de imunização massiva
Além da distribuição geral, o governo federal implementará uma modalidade de vacinação massiva em duas cidades-piloto: Botucatu, no interior de São Paulo, e Maranguape, no interior do Ceará.
O objetivo é que pesquisadores e o Ministério da Saúde estudem como a imunidade gerada pela vacina em larga escala protege a população local, criando um modelo que poderá ser replicado em todo o território nacional.
A nova vacina do Butantã chega para ampliar a proteção já oferecida pelo SUS, que desde 2025 disponibiliza a vacina importada "Qdenga" para adolescentes de 10 a 14 anos. Diferente da versão estrangeira, que requer duas doses, a solução brasileira promete facilitar a logística e o alcance da proteção contra os quatro tipos de vírus da dengue.
A importância da proteção coletiva
A urgência do imunizante é reforçada pelos relatos sobre a gravidade da doença. Especialistas destacam que infecções subsequentes podem ser ainda mais severas, causando debilitação extrema e riscos de desidratação, especialmente em idosos.
A vacina atua não apenas na proteção individual, mas também na redução da circulação do vírus, protegendo indiretamente as pessoas que ainda não foram imunizadas.
Com o avanço da produção nacional, a expectativa é que a vacina chegue gradualmente a todos os brasileiros, fortalecendo a soberania científica do país no combate a uma das arboviroses mais perigosas da região.