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Útero didelfo: entenda condição de nora de Andressa Urach
Reprodução/Instagram

As revelações de Maya Braga, nora de Andressa Urach, sobre a sua própria anatomia chamaram atenção e despertaram curiosidade nas redes sociais. A influenciadora relatou ter dois úteros e duas vaginas, além de menstruar simultaneamente pelos dois canais. De acordo com a ciência médica e a embriologia, a condição descrita é real, conhecida como útero didelfo, e possui total sentido anatômico a partir da forma como o corpo humano se desenvolve antes do nascimento.

Durante o desenvolvimento de um feto biológico feminino, existem duas estruturas chamadas ductos de Müller.

Em um desenvolvimento típico, esses dois canais se fundem no meio para formar um único útero, um único colo do útero (cérvix) e a parte superior da vagina. Quando ocorre uma falha nessa fusão, o corpo desenvolve o que os médicos chamam de anomalia mülleriana.

O útero didelfo representa o nível máximo dessa falha de fusão: os canais não se unem, o que resulta em dois úteros completamente separados e independentes, dois colos uterinos e, frequentemente, uma vagina dividida ao meio por uma membrana (septo vaginal), criando dois canais e duas entradas externas distintas.

Entenda a anatomia e os relatos de Maya Braga

Cada um dos pontos mencionados por Maya Braga em suas redes sociais encontra amparo em diagnósticos clínicos de ginecologia. A afirmação de possuir "duas vaginas e dois úteros" é explicada justamente pela falta de fusão dos ductos de Müller, onde a divisão se estende até a vagina.

O septo vaginal completo cria dois canais paralelos e independentes, cada um terminando em um colo do útero próprio.

Em relação ao fluxo menstrual mais intenso e simultâneo nos dois canais, a explicação também é hormonal. Como ambos os úteros respondem aos mesmos estímulos hormonais do ciclo menstrual, os dois órgãos preparam suas paredes internas (o endométrio) para uma possível gravidez.

Quando não há a fecundação, os dois úteros descamam ao mesmo tempo. Como existem duas superfícies uterinas sangrando de forma paralela, o fluxo total acumulado é naturalmente muito maior do que o padrão.

Outro ponto que gerou debate foi a declaração da influenciadora sobre ser virgem em uma das vaginas. Sob o ponto de vista físico e anatômico, a afirmação é real. Como os dois canais vaginais são separados por uma parede de tecido (septo), a relação sexual com penetração em um dos lados não afeta o outro. O hímen ou a elasticidade do canal que nunca foi utilizado permanecem intactos.

Casos de gravidez dupla e cuidados médicos

A medicina também confirma a possibilidade de uma gravidez em ambos os úteros simultaneamente, embora o evento seja extremamente raro.

Se a mulher liberar dois óvulos em um mesmo ciclo menstrual (um de cada ovário) e ambos forem fecundados, um embrião pode se implantar no útero esquerdo e o outro no direito. Existem casos documentados na literatura médica de mulheres com útero didelfo que deram à luz gêmeos gerados em úteros diferentes.

Na maioria das vezes, a condição de útero didelfo é assintomática, e muitas mulheres só descobrem a malformação ao realizar exames de rotina, como o ultrassom, ou quando encontram dificuldades para engravidar.

O acompanhamento médico especializado é essencial, principalmente em caso de gestação, já que o espaço físico reduzido dentro de cada

Fonte: Band.
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