O treinador de jiu-jitsu Melqui Galvão teria invadido o celular de uma aluna de 17 anos para apagar provas dos crimes sexuais pelos quais é investigado. Segundo a adolescente, os abusos teriam ocorrido em fevereiro, durante uma viagem para uma competição internacional na Itália, realizada com outros atletas da equipe.
Em entrevista à Band, a delegada Mariene Andrade, que investiga o caso, afirmou que ele aproveitou que a adolescente dormia durante o voo de volta da Itália para o Brasil para acessar o aparelho sem autorização, deletar mensagens e vasculhar a galeria de fotos da vítima.
"Ele teria, durante o voo e também enquanto ela estava dormindo, acessado o aparelho celular dela sem autorização para ocultar conversas; teria acessado também a galeria de fotos dela", afirmou a autoridade policial.
A investigação aponta que a conduta de Galvão foi uma estratégia deliberada para destruir rastros de sua relação com a menor, após ele mesmo admitir em áudios que sua conduta era errada e merecia punição.
Atualmente, a polícia trabalha com softwares forenses nos aparelhos apreendidos para recuperar o conteúdo deletado pelo treinador. Essa interferência direta na prova do crime foi um dos principais motivos para a decretação de sua prisão temporária, já que o ato demonstrou uma tentativa clara de obstruir o trabalho da Justiça e silenciar a vítima.
Prisão temporária
A interferência direta nas provas e o comportamento do investigado foram cruciais para a Justiça decretar sua detenção. A delegada explicou que a medida foi necessária para garantir a integridade do processo.
"Achamos por bem pedir a prisão temporária para que a investigação pudesse correr da forma mais isenta e sem interferências possíveis, uma vez que há indícios dele estar tentando ocultar provas e silenciar as pessoas envolvidas", afirmou a delegada.