Um documento de 21 páginas do Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, obtido com exclusividade pelo Brasil Urgente, detalha as contradições que basearam o pedido de prisão do tenente-coronel Geraldo Neto, investigado pela morte da esposa, a policial militar Gisele Alves. A principal evidência técnica aponta que o oficial manipulou a narrativa sobre o socorro à vítima.
O "retardamento não explicado" do socorro
Embora o investigado tenha afirmado categoricamente em entrevista que sua prioridade foi o resgate, os registros das operadoras de telefonia e do WhatsApp desmentem a versão. Segundo o texto oficial da Justiça Militar:
Antes do acionamento efetivo do 190, que foi às 7:57, o investigado realizou sucessivas ligações a terceiros e apenas depois consolidou o chamado às equipes estatais
Para os investigadores, essa sequência de contatos particulares - que incluiu ligações para um desembargador - evidencia um retardamento não explicado do socorro imediato e a priorização de interesses pessoais sobre a vida da esposa.
Indícios de limpeza e manipulação da cena
A perícia técnica também encontrou elementos que sugerem uma tentativa de "possível manipulação da narrativa e do cenário dos fatos". Entre os pontos mais críticos destacados no documento estão:
- Sangue na bermuda: o laudo detalha o encontro de vestígios de sangue na roupa que o oficial usava no momento da ocorrência;
- Luminol no banheiro: o uso de substâncias químicas revelou a presença de sangue em uma toalha no banheiro. O oficial alegou que um bombeiro teria usado a toalha, mas a perícia questiona por que o box do banheiro foi limpo antes da chegada das autoridades;
- Higiene suspeita: o fato de o oficial ter tomado banho e a limpeza aparente de partes do imóvel logo após o disparo são vistos como indícios de destruição de provas.