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Rubio culpa Lula por tarifaço e o acusa de má-fé na negociação

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, atribuiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a responsabilidade pelo tarifaço de 25% imposto pelo governo Donald Trump aos produtos brasileiros. Em publicação nas redes sociais, Rubio afirmou que Lula "colocou o próprio ego à frente" de um acordo e que as tarifas são "o preço" por essa postura.

"Hoje, o presidente Trump orientou o USTR a impor uma tarifa de 25% sobre a maioria das importações brasileiras. Que não haja confusão sobre o porquê: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os Estados Unidos de boa-fé", escreveu o secretário, em referência ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR).

Na sequência, Rubio endureceu o tom e associou a medida diretamente à condução do governo brasileiro. Segundo ele, as políticas econômicas de Lula são "ruins para os americanos e ruins para os brasileiros".

"No último ano, Lula colocou o próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso".

A declaração foi publicada horas depois de os Estados Unidos confirmarem a aplicação da nova sobretaxa, que entra em vigor em 22 de julho. A tarifa de 25% soma-se à alíquota geral de 10% já em vigor, elevando a taxação a 35% para os itens atingidos.

A medida encerra uma investigação de um ano conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que apurou práticas brasileiras em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico — com destaque para o Pix —, propriedade intelectual, aplicação de normas anticorrupção e desmatamento ilegal.

Nem todos os produtos foram atingidos. Os principais itens do agronegócio brasileiro exportados ao mercado americano, como café, carne bovina e suco de laranja, ficaram de fora da cobrança, enquanto o etanol e o açúcar foram incluídos.

A medida ainda pode ser ampliada: os Estados Unidos podem aplicar mais 12,5% de tarifas por uma acusação de que o Brasil estaria falhando em coibir casos de trabalho forçado, com decisão prevista para até 24 de julho.

A fala de Rubio contrasta com a versão apresentada pelo governo brasileiro. Em nota, o Planalto classificou a medida como um "marco lastimável" na relação entre os países e sustentou que atuou ininterruptamente ao longo do último ano junto ao USTR pelo encerramento da investigação, apresentando evidências que refutariam as alegações americanas.

O governo brasileiro afirma não reconhecer a legitimidade da investigação e anunciou que acionará a Lei de Reciprocidade e levará o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Fonte: Band.
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