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Rãs que mugem como vacas invadem Florianópolis e levam autoridades à caça
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A cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, está sendo invadida por rãs-touro, um animal que emite um som parecido com o de um bovino, e agora, colocou até autoridades em alerta. A Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram) está coordenando ações em toda a cidade para evitar que a espécie se espalhe pela capital catarinense.

O primeiro registro oficial da presença da rã-touro ocorreu no bairro Ratones, localizado na região norte da ilha. A estratégia da Floram conta com o apoio da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Ibama e do ICMBio. Até o momento, as operações de campo resultaram na captura de 11 exemplares da rã-touro na região mapeada.

Entenda os riscos ambientais e o impacto na fauna

Originária da América do Norte, a rã-touro foi introduzida no ecossistema brasileiro na década de 1930. O objetivo inicial era a criação comercial em ranários para a venda de carne de alto valor nutricional, atividade conhecida como ranicultura. No entanto, o escape ou a soltura desses animais na natureza gera graves consequências para a biodiversidade local.

De acordo com as autoridades ambientais, o anfíbio está classificado na categoria de risco máximo em Santa Catarina. O animal possui uma reprodução massiva e comportamento voraz, competindo diretamente por espaço com os animais nativos. A rã-touro consome insetos, peixes e outros anfíbios, além de afastar espécies locais com seu canto característico, como um mugido de boi.

Outro fator alarmante é o risco sanitário, pois o invasor pode transmitir doenças graves para os anfíbios nativos. A espécie é um vetor conhecido do ranavírus e do fungo que causa a quitridiomicose, patógeno que dizima populações locais de anfíbios. Os animais capturados em Ratones foram enviados ao Laboratório de Herpetologia da UFSC para exames epidemiológicos. Os resultados das análises ainda não foram divulgados pelas instituições de saúde ambiental.

A utilidade científica e o papel como bioindicador

Apesar dos severos prejuízos quando inserida livremente no meio ambiente, a rã-touro possui relevância na pesquisa científica. O anfíbio atua como um importante bioindicador de qualidade ambiental, auxiliando especialistas a medirem os níveis de degradação dos ecossistemas.

Por apresentar alta sensibilidade a alterações na água e no solo, o animal é utilizado em testes toxicológicos laboratoriais. Esses estudos científicos ajudam a identificar e mapear a presença e os impactos de agrotóxicos, defensivos agrícolas e metais pesados no ambiente rural e em recursos hídricos.

A Floram orienta os moradores de Florianópolis a não tentarem capturar ou manejar o animal por conta própria. Caso a população identifique a presença do anfíbio ou ouça o barulho característico que muge igual a um boi, a recomendação oficial é acionar imediatamente as equipes de fiscalização do órgão ambiental municipal para o recolhimento seguro.

Fonte: Band.
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