O cancelamento do show da dupla sertaneja Jorge e Mateus, no Réveillon de Fortaleza repercutiu nos bastidores da música e virou pauta de um debate sobre tolerância política e boicotes culturais no programa Melhor da Tarde, da Band.
A apresentação foi suspensa pelo prefeito da capital cearense, Evandro Leitão (PT), após manifestações contrárias à contratação do músico na internet. As críticas surgiram depois de Jorge participar de um evento com o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante a corrida eleitoral e entoar o verso "pode chorar, mas eu não voto no PT".
Polarização e convivência entre contrários
Durante a análise da polêmica, Leo Dias questionou o motivo de as cobranças se concentrarem apenas em um dos integrantes da dupla: "Não posso dizer em quem o Mateus votou, não sei absolutamente disso. Mas é sabido, no meio, que eles pensam bastante diferente. Isso não prejudica em nada a dupla e muito menos a parceria musical e a amizade deles", afirmou o jornalista.
Leo Dias apontou que a postura discreta sempre foi uma característica do cantor: "Me surpreendeu quando vi o Jorge naquele evento. Eu nunca vi o Jorge em um ato assim. Ele é absolutamente discreto em relação à vida dele e aos seus posicionamentos políticos".
O jornalista também direcionou críticas às iniciativas de retaliação comercial e aos comentários preconceituosos dirigidos ao Nordeste nas redes.
"Que absurdo é esse? Esse não é o Brasil que eu conheci e esperava viver. As pessoas mais evoluídas são aquelas que conseguem conviver com ideias diferentes", ressaltou Leo Dias. Morador de Pernambuco há anos, ele defendeu a imparcialidade dos gestores públicos: "Governantes têm que governar para todos, não importa quem votou neles".
Limites da manifestação artística e perseguição
Chris Flores também manifestou preocupação com o acirramento das divergências e alertou para as consequências extremas da intolerância no cotidiano das pessoas comuns. "Sabe o que acho mais triste de tudo isso? Quando as pessoas falam para parar de ajudar ações sociais por causa de eleição", lamentou a apresentadora.
Ao condenar pressões comerciais e discriminações contra cidadãos por opções partidárias, Chris Flores fez um alerta histórico: "Ficar marcando loja de direita ou loja de esquerda, pedindo para colocar bandeira na porta como se fazia no nazismo, e até demitir alguém? Isso é um horror".
Janaina Nunes ponderou sobre o dever e o risco das declarações públicas de figuras famosas, destacando que atitudes públicas geram respostas diretas do público.
"O Jorge não falou mal do Nordeste, mas esse é o ônus e o bônus de se posicionar, e você tem que aguentar o rojão", afirmou a repórter, mas Leo Dias não concordou: "Acho que aguentar o rojão não deveria significar ter um show cancelado por causa de comentários na internet".
Jorge, da dupla com Mateus, se pronuncia após ter show cancelado em Fortaleza
Jorge, da dupla com Mateus, se pronunciou nas redes sociais nesta quarta-feira (4) após a onda de críticas contra o sertanejo e o cancelamento de um show no Réveillon de Fortaleza, no Ceará. A polêmica ocorre em meio ao apoio ao candidato derrotado das Eleições, Flávio Bolsonaro (PL).
O cancelamento foi anunciado nas redes sociais pelo prefeito da capital cearense, Evandro Leitão (PT), que disse que a decisão foi tomada por "questões que geraram polêmicas". Uma das falas que gerou comoção na população foi quando Jorge, em 20 de outubro, declarou em uma canção: "Pode chorar, mas eu não voto no PT".
Outras atribuídas a ele seriam direcionadas ao Nordeste, com críticas. Nas redes, Jorge se defendeu e disse que nunca falou mal do Nordeste e esclareceu que tem carinho, admiração e respeito pela região. "Diante de algumas informações que circularam nas redes sociais nos últimos dias, considero importante esclarecer que as falas que estão sendo atribuídas a mim, especialmente em relação ao Nordeste e ao povo nordestino, não são verdadeiras", disse.
"Nunca fiz essas declarações e jamais me referiria dessa forma a uma região pela qual tenho tanto carinho, admiração e respeito", declarou Jorge, que disse que a situação nada tem a ver com Mateus, muito menos com a dupla.
"Faço esse esclarecimento em meu nome, por se tratar de uma situação relacionada a mim, e não ao Mateus ou à nossa trajetória como dupla. Ao longo da minha carreira, tive o privilégio de conhecer todos os estados do Nordeste, cantar para milhares de pessoas e receber um carinho que sempre levarei comigo", afirmou.
No texto, ele ainda diz que é grato ao Nordeste pela contribuição ao Brasil e para a própria carreira. "Tenho uma gratidão imensa pelo povo nordestino, por sua cultura, sua história e por tudo que essa região representa para a música brasileira e para a minha própria caminhada", pontuou.
Jorge disse que é preciso prevalecer "diálogo, a empatia e o respeito". "Respeito as diferentes opiniões e acredito que, acima de qualquer divergência, devem prevalecer o diálogo, a empatia e o respeito. A música sempre foi a minha forma de me conectar com as pessoas, levar alegria e retribuir todo o carinho que recebo", afirmou e completou:
"Independentemente de qualquer diferença, meu desejo é que o nosso país esteja bem, que as pessoas estejam bem e que nunca perdemos o respeito uns pelos outros".