O preço do pão francês, de massas e de biscoitos deve subir para o consumidor brasileiro a partir de abril, puxado pela alta do trigo. A safra nacional de trigo enfrenta problemas e os custos de produção estão mais altos, já que a maior parte é importada e o câmbio interfere no preço final do cereal.
As projeções do setor de panificação indicam que o reajuste na farinha de trigo pode variar entre 5% e 10% nas próximas semanas. Esse aumento deve ser repassado diretamente ao consumidor final nas padarias de todo o país, embora o índice exato possa variar conforme a região e a concorrência local.
De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o cereal já apresenta forte valorização em março. No Paraná, a tonelada de trigo é cotada próxima a R$ 1.253, enquanto no Rio Grande do Sul o valor atinge R$ 1.114. Em São Paulo, os preços nominais são os maiores registrados nos últimos seis meses.
Entenda por que o trigo está mais caro
A subida dos preços do trigo é explicada por uma combinação de fatores climáticos e de mercado. Um dos principais motivos é a projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que estima uma safra de trigo 12,3% menor em 2026 no Brasil.
A produção nacional deve somar 6,9 milhões de toneladas, volume insuficiente para suprir a demanda interna. Essa quebra na safra reduz a disponibilidade do grão e força os moinhos a buscarem o produto no exterior, ficando mais expostos às variações do mercado global.
Além da baixa oferta interna, o mercado internacional opera com alta mensal superior a 6% nas bolsas de mercadorias. O cenário é agravado pela valorização do dólar frente ao real, o que encarece a importação do trigo estrangeiro, essencial para completar o abastecimento do país.
Impacto nas padarias e no bolso do consumidor
O período de entressafra — intervalo entre o fim de uma colheita e o início da próxima — é naturalmente um momento de preços mais altos. No entanto, em 2026, a resistência dos produtores em vender os estoques atuais, à espera de preços ainda maiores, acelerou a alta.
O setor de panificação ressalta que a farinha de trigo é o principal insumo do pãozinho. Quando o preço do grão sobe para as moageiras, o custo da farinha aumenta para o padeiro, tornando o reajuste no balcão inevitável para manter a viabilidade do negócio.
Embora não exista um índice oficial unificado da Associação Brasileira da Indústria de Panificação (Abip), sindicatos regionais alertam que a pressão de custos em março foi intensa. Além do pão francês, itens como macarrão e bolachas também devem apresentar etiquetas mais caras nas prateleiras dos supermercados nos próximos meses.