
Uma complexa investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) revelou "fortes laços" e "vínculos objetivos" entre o PCC e um esquema bilionário de fraude e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
De acordo com decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, o grupo liderado por Mohamad Hussein Mourad utilizava uma vasta rede de postos e distribuidoras que se conectava diretamente com integrantes e atividades da facção.
A apuração judicial demonstra que a principal conexão entre o esquema e o PCC se dava por meio de uma extensa rede de postos e distribuidoras de combustíveis para lavagem de dinheiro. Pessoas ligadas a essas operações, como Ricardo Romano e José Carlos Gonçalves, vulgo "Alemão", são explicitamente associadas ao Primeiro Comando da Capital.
- Ricardo Romano: Identificado como titular de 17 postos de combustíveis, assumiu o controle de estabelecimentos que antes pertenciam à rede de conveniência da família Mourad. Após a aquisição, um dos postos passou a enviar recursos para Leandro Cavallari, que possui "mídias negativas vinculando-o ao Primeiro Comando da Capital (PCC)".
- José Carlos "Alemão" Gonçalves: Apontado por ter "ligações fartas com o PCC", é suspeito de atuar como financiador do tráfico e na lavagem de dinheiro para a facção. Investigações anteriores já o conectavam a crimes de organização criminosa ligados ao PCC.
- Família Cepeda Gonçalves: Proprietária da Rede Boxter, um grupo de postos de combustíveis, foi investigada e presa na "Operação Rei do Crime" por sua relação com o PCC. Membros dessa família transferiram a titularidade de dezenas de postos para "laranjas" e para Tharek Majide Bannout, consolidando a influência do esquema.
Lavagem de Dinheiro e Expansão da Facção
O documento indica que o ecossistema de lavagem de capitais, facilitado pela atuação nas usinas e no setor de combustíveis, beneficiava diretamente o PCC. A estrutura fraudulenta permitia a movimentação de enormes quantias de dinheiro ilícito, "regando" os postos de combustíveis que, por sua vez, tinham elos diretos com a facção criminosa.
Essa sinergia entre o grupo de Mourad e o PCC era fundamental para a expansão e o financiamento das atividades criminosas da facção.
A rede de postos de combustíveis não apenas servia para lavar o dinheiro do esquema de fraudes fiscais, mas também como um braço financeiro para as operações do Primeiro Comando da Capital, demonstrando uma profunda infiltração do crime organizado em setores vitais da economia.