A Justiça do Ceará concedeu a liberdade ao inspetor da Polícia Civil Antônio Alves Dourado, acusado de matar a tiros quatro colegas de trabalho dentro da Delegacia Regional de Camocim, no litoral cearense, em 2023. O ex-policial, que cumpria internação em um hospital psiquiátrico, foi autorizado a deixar a unidade de saúde para dar continuidade ao tratamento em regime ambulatorial.
O crime chocou o estado pela violência praticada dentro do próprio ambiente policial. Na época, Dourado estava de folga quando invadiu o local e efetuou os disparos contra os agentes. Ele fugiu em seguida, mas se entregou horas depois em sua residência, alegando que sofria perseguições e humilhações no trabalho.
Em 2024, um laudo da Perícia Forense apontou que o inspetor sofre de psicose esquizoafetiva, um transtorno mental grave. Com base na perícia, em 2025 a Justiça reconheceu o réu como inimputável — sem capacidade legal de ser responsabilizado penalmente —, substituindo a prisão preventiva pela internação psiquiátrica.
Após pouco mais de um ano internado, a desinternação foi autorizada pelo juiz Yuri Collyer de Aguiar. Na decisão, o magistrado argumentou que a gravidade concreta dos crimes não impede a flexibilização da medida, sustentando-se em laudos médicos que comprovaram evolução clínica favorável do paciente.
Com a liberação, Antônio Alves Dourado seguirá para Belém, no Pará, onde vive sua família, onde fará o acompanhamento médico ambulatorial. A defesa do acusado, representada pelo advogado Oséas Rodrigues, afirmou que a medida cumpre estritamente o estabelecido no Código Penal e na legislação brasileira.
O Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), no entanto, posicionou-se contra a concessão do benefício e confirmou que irá recorrer da decisão judicial.