Uma investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, revelou indícios de proximidade e pagamento de propina envolvendo operadores financeiros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e coronéis da Polícia Militar. Os detalhes constam em desdobramentos da Operação Janus, que mira esquemas de lavagem de dinheiro, divisão de bens em "tribunais do crime" e corrupção.
Escutas telefônicas e trocas de mensagens obtidas pelos promotores mostram interlocutores da facção tratando abertamente sobre pagamentos a policiais. Em um dos diálogos, um operador cobra recursos com urgência, afirmando que precisava de valores em espécie para repassar aos agentes.
Entre os nomes citados na apuração do Ministério Público está o do coronel Luiz Carlos Pereira Martins, da Diretoria de Ensino da PM. Segundo o MP, ele mantinha uma relação de amizade com Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, apontados como operadores financeiros do PCC. O oficial e os investigados chegaram a integrar um grupo de mensagens chamado "Aniversário general", onde trocavam recados pessoais e sociais. Para os promotores, Pereira Martins teria se colocado à disposição para intermediar contatos com autoridades.
A investigação também identificou um pagamento de R$ 1 mil ao coronel conhecido como "Patrício", cujo nome aparece em planilhas de controle financeiro da facção no chamado esquema de "ticketagem" — propina maquiada sob o registro de vales-refeição. Outro oficial mencionado em diálogos de intermediários do PCC é o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar).
PMs teriam vendido informações sobre operações ao PCC
Além da proximidade pessoal e dos repasses pontuais, as apurações indicam um comprometimento ainda mais grave nas ações de combate ao crime: a suspeita de que policiais teriam vendido informações estratégicas e sigilosas diretamente à facção.
De acordo com denúncia formalizada pelo promotor Lincoln Gakiya, referência no combate ao crime organizado no país, uma investigação instaurada em abril apura se policiais da tropa de elite vazaram dados sigilosos sobre operações programadas. O vazamento prévio teria comprometido diversas missões em campo e facilitado a fuga de lideranças do PCC que seriam alvo de mandados de prisão.
Ainda segundo a apuração, o coronel José Augusto Coutinho teria sido alertado formalmente sobre as suspeitas de corrupção interna ainda em 2021, quando estava no comando da Rota, mas não teria adotado providências para apurar as condutas. Posteriormente, Coutinho assumiu o Comando-Geral da Polícia Militar de São Paulo em 2023, cargo em que permaneceu até abril deste ano.
O que dizem os citados e a corporação
Em nota, o comando da Polícia Militar de São Paulo informou que atuou em parceria com o Ministério Público durante as diligências da Operação Janus e reiterou o compromisso de combater o crime organizado. A corporação não detalhou se abriu procedimentos administrativos internos para investigar a conduta dos coronéis, alegando que os oficiais citados já se encontram na reserva (aposentados).
A defesa do coronel José Augusto Coutinho informou que ainda não teve acesso irrestrito aos autos da investigação e declarou que o oficial não possui qualquer envolvimento com os fatos apurados. Os demais oficiais citados não constam como alvos diretos dos mandados de prisão cumpridos na Operação Janus, e o espaço segue aberto para as manifestações das defesas.
A apreensão e a preocupação voltaram a fazer parte da rotina dos moradores do Rio Grande do Sul. Fortes chuvas que atingem o estado nos últimos dias voltaram a elevar o nível dos rios, afetando cerca de 150 municípios e deixando centenas de pessoas desabrigadas.
A região dos Vales, com destaque para o Vale do Taquari — historicamente atingido por eventos climáticos severos —, registra uma escalada rápida no nível das águas. Na cidade de Lajeado, o Rio Taquari ultrapassou com folga a cota de inundação (fixada em 19 metros) e superou os 23 metros no fim da tarde, com previsão da Defesa Civil de que possa alcançar a marca de 25 metros.
O avanço acelerado da água interrompeu o tráfego em diversas ruas e levou moradores a instalarem bloqueios improvisados para alertar motoristas e pedestres sobre os riscos. Além de Lajeado, outras cidades do Vale do Taquari, como Muçum, Roca Sales e Encantado, além de municípios no Vale do Caí, como Montenegro, também registram elevação dos rios e novos pontos de alagamento.
Resgates e corrida contra o tempo
Cenas de resgates em áreas tomadas pela enchente voltam a mobilizar equipes de socorro. Tratores e veículos pesados estão sendo empregados para retirar idosos e famílias ilhadas em pontos de difícil acesso. Em um dos registros mais impressionantes, um ônibus transportando passageiros chegou a ser arrastado pela força da correnteza.
Diante da subida contínua da água, prefeituras e equipes de voluntários trabalham contra o tempo utilizando caminhões para transportar móveis, eletrodomésticos e bens das famílias antes que as residências sejam tomadas. Em Lajeado, o Parque do Imigrante, localizado em um ponto mais alto e seguro da cidade, volta a ser utilizado como abrigo temporário e centro de apoio.
Alerta e comparação com episódios anteriores
Embora a situação seja crítica e exija vigilância constante, as projeções atuais permanecem abaixo do evento extremo registrado em maio de 2024, quando o nível do rio superou a marca dos 30 metros.
Ainda assim, com mais de 400 pessoas desabrigadas e a atualização diária dos dados pelas prefeituras locais, a orientação da Defesa Civil é para que moradores de áreas de risco permaneçam atentos e sigam as recomendações de evacuação.