A Polícia Militar vai abrir um processo que pode resultar na expulsão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a policial Gisele Alves Santana, no apartamento onde os dois viviam em São Paulo.
A informação foi confirmada à Rádio Bandeirantes pelo secretário de Segurança Pública de São Paulo (SSP), Osvaldo Nico Gonçalves. Segundo ele, o processo pode levar em média 90 dias.
Ele está preso no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, e é réu por femincicídio e fraude processual por alteração da cena do assassinato e tentativa de atrapalhar a investigação.
Perícia identifica manipulação em celular de PM Gisele
Um relatório da Polícia Civil trouxe novos elementos à investigação da morte da soldado Gisele. A análise dos dados extraídos do aparelho celular da vítima revelou fortes indícios de manipulação de provas após o crime.
Segundo os peritos, as últimas interações entre o casal foram deletadas, em uma ação que teria sido executada pelo próprio réu, o tenente-coronel Neto, logo após o disparo fatal.
Apesar da tentativa de ocultação, os investigadores conseguiram recuperar parte do conteúdo das mensagens. Os dados mostram que, na noite anterior ao crime, Gisele e o tenente-coronel Neto trocaram diversas mensagens sobre o fim do relacionamento. O conteúdo é direto: Gisele expressava o desejo de se separar e pedir o divórcio.
Contradições na versão de suicídio
A descoberta das mensagens confronta diretamente a versão apresentada pelo tenente-coronel Neto. A Polícia Civil afirma que o manuseio do celular da vítima após a morte teve como objetivo central apagar diálogos que pudessem incriminar o oficial, reforçando a narrativa de que Gisele teria cometido suicídio.
A última mensagem enviada pela soldado ocorreu às 23h, cerca de 8 horas e meia antes de sua morte. No texto, ela afirma categoricamente que o oficial poderia dar entrada no pedido de divórcio. O que chama a atenção dos investigadores é o fato de que essas mesmas mensagens não foram encontradas no celular do tenente-coronel Neto, indicando que ele também apagou os rastros da conversa em seu próprio aparelho.
A perícia técnica segue com a análise detalhada dos dados recuperados para determinar o momento exato em que as exclusões ocorreram e identificar se outros conteúdos relevantes foram removidos para obstruir a justiça.
O intervalo de tempo e o ruído do disparo
A cronologia dos fatos na manhã do incidente apresenta uma lacuna de quase 30 minutos que o oficial tenta justificar. Uma vizinha relatou ter ouvido um estrondo significativo às 07:28, enquanto o pedido de socorro feito pelo coronel só ocorreu às 07:57. O suspeito defende que o ruído ouvido pela testemunha foi o som da porta do quarto sendo batida com força por Gisele, e não o tiro.
No entanto, a perícia ressalta que o som de um disparo de calibre .40 é extremamente potente e dificilmente seria confundido ou passaria despercebido num ambiente residencial, o que coloca em dúvida a versão de que o oficial estaria no banho sem perceber o ocorrido imediatamente.