A Polícia Federal deflagra uma operação contra um esquema suspeito de fraudar cerca de R$ 200 milhões em contratos públicos de castração de animais no Rio de Janeiro. A ação cumpre mandados de busca e apreensão no escritório de advocacia do deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), um dos alvos da ofensiva nesta terça-feira.
As diligências fazem parte da segunda fase das investigações sobre irregularidades em licitações firmadas entre a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento e a empresa Consuvet. As medidas cautelares contam com autorização expressa do Supremo Tribunal Federal, corte responsável pelo caso em razão do foro privilegiado do parlamentar fluminense.
A apuração indica que os contratos sob suspeita ocorreram na época em que o deputado esteve à frente da Secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro. Ao todo, 19 acordos contratuais firmados no período concentram as apurações da PF por suspeita de desvio de verbas públicas da causa animal.
Indícios de fraude e falta de estrutura
O inquérito da PF aponta uma série de inconsistências na contratação da empresa prestadora de serviços. Entre os principais indícios de fraude reunidos pelos investigadores federais está a criação recente da Consuvet, aberta apenas três meses antes de vencer a primeira disputa licitatória no Estado.
Além disso, relatórios policiais mostram que a firma não apresentava estrutura operacional mínima compatível com o porte dos serviços contratados pela administração pública fluminense. O volume expressivo de atendimentos previa esterilizações cirúrgicas e implantação de microchips em milhares de cães e gatos.
A causa animal sempre foi uma das principais bandeiras públicas de Marcelo Queiroz. Em campanhas eleitorais na capital fluminense, o parlamentar divulgava a gratuidade dos procedimentos cirúrgicos e a distribuição de medicamentos veterinários. O programa prometia até 300 esterilizações diárias com chipagem.