As principais facções criminosas do país, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), utilizam rotas na fronteira entre o Brasil e a Bolívia para abastecer o mercado nacional e internacional de drogas. Em uma cobertura especial, o repórter Felipe Garraffa esteve na região de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia, e acompanhou as operações das forças de segurança que tentam conter o avanço do tráfego ilegal de entorpecentes.
A fronteira entre os dois países estende-se por mais de 3.400 quilômetros, dos quais cerca de 1.400 quilômetros estão localizados em Rondônia. Na maior parte do trecho estadual, a divisão territorial ocorre por meio aquático, principalmente pelo Rio Mamoré. A extensão territorial e o relevo da região dificultam a fiscalização permanente por parte dos agentes de segurança.
Atravessadores e rotas clandestinas no Rio Mamoré
Para chegar ao lado boliviano, a reportagem esteve na última cidade brasileira antes da divisa, Guajará-Mirim. No local, travessias informais são realizadas em pequenas embarcações, como canoas a motor, em rotas que evitam o porto oficial da cidade e os postos de fiscalização da Polícia Federal e da Receita Federal.
Em um trajeto de cerca de cinco minutos pelo Rio Mamoré, barcos clandestinos chegam ao município de Guayaramerín, na Bolívia, sem passar por vistorias ou controle alfandegário. Moradores da região relatam que a travessia informal é usada no cotidiano tanto por trabalhadores locais quanto por atravessadores. A falta de estrutura ostensiva no lado boliviano facilita a circulação de criminosos.
Veículos roubados no Brasil são trocados por drogas
A fragilidade na segurança da fronteira favorece não apenas a entrada de cocaína no território brasileiro, mas também o envio de bens roubados para o país vizinho. Nas ruas de Guayaramerín, é frequente a presença de automóveis de alto valor trafegando sem placas de identificação.
Segundo autoridades policiais, grande parte desses veículos é fruto de roubos ou furtos praticados no Brasil. Os automóveis são levados de forma ilegal para a Bolívia e, em muitos casos, trocados diretamente por carregamentos de drogas que alimentam as redes de distribuição do PCC e do Comando Vermelho. As investigações da Polícia Civil e da Polícia Federal prosseguem para mapear os integrantes das quadrilhas atuantes na região.