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Pai de Henry desabafa após perdão judicial de Monique: 'Terceira morte'

Leniel Borel, pai do menino Henry Borel, criticou duramente a decisão que absolveu Monique Medeiros, mãe da criança, pelo crime de homicídio, após o recebimento do perdão judicial, na madrugada desta quinta-feira (4). O padrasto do menino, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi condenado a 43 anos de prisão por homicídio doloso. Henry foi morto aos 4 anos, em 2021.

Após mais de cinco anos vivendo a maior dor que um ser humano pode passar, que é perder um filho, falei aqui, poucos meses atrás, que considerava que aquela decisão da mesma juíza era uma segunda morte para o meu filho. E agora, venho falar que mataram meu filho pela terceira vez.

Leniel discordou da declaração de que “a misoginia matou o Henry” e disse que esse entendimento abre precedentes para outras mães matarem ou permitir que seus filhos sejam mortos.

Ele também argumentou que ambos os acusados estavam exatamente no mesmo ambiente e sob as mesmas circunstâncias na noite em que Henry foi assassinado.

Eu não estava dentro daquele apartamento. Quem estava dentro daquele apartamento se chama Jairo e Monique. A mãe, quem deveria proteger, garantir a proteção do filho dela. E aí nós vemos uma decisão de dar 43 anos para o Jairo, falando em homicídio, homicídio doloso. Na mesma CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão)... na mesma situação, no mesmo espaço, no mesmo lugar, no mesmo apartamento... A mãe, que estava lá, passos foram dados numa mesma proporção. Ela estava acordada assim como o Jairo. E ela vai sair pela porta da frente?

A defesa de Leniel Borel e o Ministério Público ainda avaliam os próximos passos e possíveis recursos diante da decisão da Justiça.

Perdão judicial

Após dez dias de julgamento, o ex-vereador Jairinho, foi condenado a 43 anos de prisão pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e tortura pela morte do menino Henry Borel. A sentença foi lida nesta madrugada.

A mãe da criança, Monique Medeiros, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo. Com a mudança de entendimento, a decisão foi da juíza Elisabeth Machado Louro, que concedeu o perdão judicial. Monique, no entanto, foi condenada por omissão diante das torturas sofridas pelo filho.

Monique Medeiros recebeu perdão judicial pelo crime de homicídio do filho Henry Borel   Crédito: Band

Monique Medeiros recebeu perdão judicial pelo crime de homicídio do filho Henry Borel   Crédito: Band

Jairinho era acusado de homicídio qualificado, tortura e coação. Monique respondia por homicídio qualificado por omissão, tortura e coação. Em ambos os casos, as acusações tinham como agravantes o fato de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e de a vítima ser menor de 14 anos.

Os jurados absolveram o ex-político de outras duas acusações de tortura que também eram analisadas durante o julgamento, mas o condenaram por coação. Já Monique foi absolvida da acusação de coação, restando contra ela o reconhecimento da responsabilidade por omissão em relação à violência praticada contra Henry.

Durante todo o processo, a acusação sustentou que Jairinho submeteu Henry a sucessivas agressões que culminaram na morte da criança e que Monique tinha conhecimento das violências praticadas contra o filho.

As defesas negaram as acusações. Os advogados de Jairinho afirmaram sua inocência e questionaram a investigação. A defesa de Monique, por sua vez, argumentou que ela não tinha conhecimento das agressões e levantou a hipótese de ter sido “dopada” no dia da morte da criança.

Os interrogatórios dos dois réus ocorreram na última terça-feira (2). Monique foi ouvida primeiro. Jairinho falou em seguida, depois de obter na Justiça o direito de ser o último a depor e respondeu apenas as perguntas feitas pela sua defesa.

Fonte: Band.
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