A Polícia Civil de São Paulo prendeu preventivamente o pai, a madrasta e a avó paterna de um menino de 11 anos, encontrado morto em uma residência no Itaim Paulista, Zona Leste da capital. Chris Douglas, de 52 anos, Camilla Barbosa Dantas Felix, de 42, e Aparecida Gonçalves, de 81 anos, são acusados de tortura com resultado morte. O caso, relatado no Brasil Urgente, revela que a criança vivia em condições degradantes e sob constante vigilância.
O óbito de Kratos Douglas foi confirmado por uma equipe do Samu, acionada pelo próprio pai da vítima após o garoto supostamente passar mal. Ao entrarem no imóvel de quatro cômodos, localizado nos fundos de um terreno, os socorristas encontraram o menino caído ao lado de uma cama. O corpo apresentava sinais evidentes de desnutrição e hematomas visíveis nas mãos, braços e pernas.
Investigação aponta cárcere e tortura
Em depoimento à polícia, Chris Douglas confessou que mantinha o filho acorrentado ao pé da cama. O homem alegou que a medida era utilizada para evitar que o garoto fugisse de casa. No entanto, ele negou que praticasse agressões físicas contra a criança. Apesar da justificativa apresentada pelo pai, vizinhos relataram que sequer tinham conhecimento da existência do menino na residência, que era monitorada por diversas câmeras de segurança.
A investigação apurou que a família se mudou de Bauru, no interior do estado, para a capital paulista há pouco mais de um ano. Durante esse período, Kratos não foi matriculado em nenhuma unidade de ensino. A ausência de registro escolar dificultou a identificação da situação de vulnerabilidade em que a vítima se encontrava.
A polícia apreendeu dispositivos eletrônicos, incluindo computadores e celulares, que pertenciam aos adultos da casa. O material passa por perícia para verificar se o pai gravava as sessões de tortura ou se compartilhava imagens do filho em redes sociais e fóruns da internet.
Assistência às demais crianças da casa
Além da vítima, outras duas crianças viviam no local: uma menina de 12 anos e um bebê de dois anos. Após a constatação do crime e a prisão dos responsáveis, ambas foram encaminhadas aos cuidados do Conselho Tutelar. A situação de saúde e o histórico de tratamento dessas crianças também serão avaliados no curso do inquérito policial.
O laudo oficial do Instituto Médico Legal (IML), que determinará a causa exata da morte de Kratos, ainda é aguardado pelas autoridades. A mãe da vítima, que permanece residindo em Bauru, deve ser ouvida pela polícia nos próximos dias para prestar esclarecimentos sobre o histórico familiar e o contato que mantinha com o filho.