Clube 1 - 96.7FM | Ribeirão Preto/SP
Conteúdo nacional e internacional Rede BandNews
O que fez pesquisas eleitorais errarem resultado da corrida presidencial?

As divergências entre as projeções das pesquisas eleitorais e os números consolidados nas urnas no primeiro e no segundo turno foram tema de debate no programa Band Eleições desta segunda-feira (26). Jornalistas e especialistas discutiram as causas para os levantamentos não terem captado com exatidão os movimentos da disputa presidencial e cobraram uma autocrítica dos institutos.

Aceleração da comunicação e o "vento" de última hora

Para o jornalista Fernando Mitre, um dos principais fatores para o descompasso é a transformação nos sistemas de comunicação e a rapidez com que o debate político ocorre atualmente. Segundo o analista, "ventos" de mudança de opinião e ondas de voto útil formam-se em intervalos curtos — muitas vezes no próprio fim de semana da eleição —, alterando o quadro sem que as ferramentas tradicionais de amostragem consigam acompanhar em tempo hábil.

Mitre citou indícios que já apontavam essa movimentação na reta final, como a pesquisa Quaest divulgada na madrugada anterior ao pleito. O levantamento mostrava sinais relevantes: a superação da reprovação pela aprovação do governo Lula pela primeira vez, o aumento do receio em relação a um governo do adversário (com 42% de medo de Flávio contra 40% de Lula) e a rejeição de Flávio seis pontos acima da de Lula. Apesar desses sinais, a extensão real dessa movimentação só ficou evidente com a abertura dos votos nas urnas, surpreendendo os próprios técnicos de pesquisa.

Utilidade, prazos e metodologia

A precisão dos levantamentos e o impacto na percepção pública também foram questionados pelo jornalista Eduardo Oinegue. Ele pontuou que, ao longo de toda a campanha, os números são divulgados continuamente e consumidos pela sociedade como base científica.

Embora se reconheça formalmente que pesquisas registram o momento e não fazem prognósticos, Oinegue argumentou que o argumento de que "o eleitor mudou de ideia na última hora" desgasta a credibilidade dos levantamentos. Para ele, os institutos precisam estabelecer critérios mais firmes ou buscar metodologias com prazos de validade que ofereçam um instrumento que de fato sirva de referência segura para a sociedade.

O cientista político Fernando Schüler complementou ressaltando que os institutos precisarão repensar seus métodos. Ele lembrou que as discrepâncias ocorreram de forma recorrente em eleições anteriores e nos dois turnos, citando que os próprios especialistas da área reconhecem a urgência de uma reformulação nos processos de aferição da opinião pública.

Fonte: Band.
Carregando os comentários...
Rota da Verdade com Programação Clube 1
Carregando... - Carregando...