No mês de Março Amarelo, campanha dedicada à conscientização sobre a endometriose, as pesquisas pela doença estão em alta no Google. Segundo levantamento da Sala Digital, a pergunta “o que é endometriose?” é uma das mais buscadas desta terça-feira (17).
A doença ginecológica crônica que acomete uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no mundo inteiro pode provocar dor intensa, alterações intestinais e urinárias e dificuldade para engravidar.
Abaixo, veja os sintomas da doença:
O que é a endometriose
A endometriose ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio, que reveste o interior do útero, cresce em locais fora da cavidade uterina. Esses focos aparecem principalmente na pelve, podendo atingir ovários, trompas, abdômen, região ao redor da bexiga e até o intestino.
Ao aderir a esses órgãos, o tecido sofre ação dos hormônios menstruais, inflama e causa dor, além de formar aderências e cistos.
Muitas pacientes convivem por anos com sintomas sem diagnóstico, o que compromete a rotina, a vida sexual e o planejamento reprodutivo.
Principais sintomas e impacto na fertilidade
Os sintomas da endometriose variam bastante e algumas mulheres podem ser assintomáticas. Entre os sinais mais frequentes estão:
- cólicas menstruais intensas e progressivas (dismenorreia);
- dor pélvica crônica;
- dor durante a relação sexual, principalmente quando há lesões profundas.
A doença também pode se manifestar por alterações intestinais e urinárias no período menstrual, como distensão abdominal, sangue nas fezes, constipação, dor ao evacuar ou ardência e dor ao urinar, muitas vezes confundidas com infecção urinária.
A infertilidade é outro alerta: estima-se que cerca de um terço das mulheres com endometriose enfrenta dificuldade para engravidar.
Por que o diagnóstico demora tantos anos
Apesar dos avanços, o tempo médio entre o início dos sintomas e o diagnóstico correto ainda varia de sete a nove anos. Um dos principais motivos é a normalização da dor, em que familiares, profissionais de saúde e a própria paciente encaram cólicas muito fortes como parte natural do ciclo.
Outro fator é a falha na avaliação clínica: consultas rápidas e centradas apenas em exames complementares muitas vezes substituem a anamnese detalhada e o exame físico cuidadoso, que poderiam levantar a suspeita em até 98% dos casos, segundo ginecologistas.
Exames de imagem, como ultrassonografia e ressonância magnética, também exigem radiologistas treinados especificamente para identificar lesões de endometriose; sem essa experiência, o laudo pode não apontar alterações, sobretudo nas fases iniciais.
Como os sintomas se confundem com outras condições, muitas mulheres só recebem o diagnóstico definitivo quando investigam infertilidade ou complicações pélvicas persistentes.
Cuidados e mudanças de hábito
A endometriose não tem cura definitiva, mas tratamento adequado e mudanças de estilo de vida ajudam a controlar a inflamação e aliviar o desconforto.
Entre as recomendações estão:
- adotar dieta equilibrada;
- com prioridade para frutas, legumes, grãos integrais e fibras, além de evitar excesso de alimentos ultraprocessados;
- prática regular de atividade física contribui para reduzir inflamações e melhorar a percepção da dor;
- o gerenciamento do estresse, por meio de técnicas como meditação e ioga, pode evitar o agravamento dos sintomas associados ao estresse crônico;
- abordagens naturais, como o uso de substâncias com ação anti-inflamatória, a exemplo da cúrcuma, e exercícios pélvicos específicos aparecem como auxiliares no controle dos sintomas, sempre como complemento e nunca como substituto do acompanhamento médico especializado.