O Ministério Público de São Paulo denunciou 19 pessoas por envolvimento em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro operado a favor da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A denúncia formulada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado aponta que a estrutura financeira clandestina utilizava empresas de fachada e contas de terceiros para movimentar valores milionários e dificultar o rastreamento pelas autoridades de fiscalização.
O funcionamento do banco do crime e a "TED por vivo"
De acordo com as investigações, a organização criminosa mantinha um verdadeiro "banco do crime" estruturado para blindar os recursos obtidos por meio de atividades ilícitas. O esquema contava com o método conhecido como "TED por vivo", no qual dinheiro em espécie era trocado por transferências bancárias — ou vice-versa — com o objetivo de burlar a identificação dos reais emissores e destinatários dos valores.
Em interceptações telefônicas e telemáticas anexadas ao processo, o Gaeco destacou conversas em grupos de mensagens que detalham transações de grande volume em espécie. Em um dos áudios obtidos pelos investigadores, Cléber Azevedo dos Santos menciona a diversificação das origens dos capitais que ingressavam no esquema, citando criptomoedas, esquemas de pirâmide financeira e o narcotráfico.
Núcleo de liderança e criação de fintech própria
A denúncia detalha ainda a criação de um banco digital próprio pela organização criminosa. Para os promotores do Ministério Público, a fintech funcionava como uma ferramenta adicional de blindagem contra os órgãos oficiais de controle e fiscalização financeira.
As apurações apontam a participação de Leonardo Monteiro Moja, conhecido como Léo do Moinho, apontado na denúncia como uma das lideranças do PCC. Segundo o Gaeco, ele era responsável por indicar contas bancárias e destinatários específicos para receber as quantias bilionárias movimentadas pela rede criminosa. O processo segue agora para análise e trâmite no Poder Judiciário.