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Moradora de Lajeado desabafa sobre nova cheia no RS: 'Sofremos sempre'

Mais do que os números elevados nas réguas de medição e as estatísticas dos órgãos oficiais, o avanço do Rio Taquari, no Rio Grande do Sul, carrega um impacto psicológico profundo sobre as famílias atingidas. Em Lajeado, a moradora Amanda revive o drama de ver a água tomar novamente a casa da mãe em um cenário que se repete e se acumula ao longo do tempo.

Em relato desabafado à reportagem, Amanda contou que a família ainda tenta se recuperar das perdas provocadas pelos episódios extremos passados, incluindo a histórica tragédia de maio de 2024. Segundo ela, apesar de promessas de assistência, os auxílios governamentais e as novas moradias prometidas ainda não se concretizaram.

"A minha mãe perdeu tudo em duas enchentes e até agora nada, não ganhou nenhum tipo de ajuda. Estão fazendo casas que estão quase prontas, mas até agora não entregaram", afirmou a moradora.

Corrida contra o tempo e desconfiança de alertas

Além da falta de amparo, Amanda destacou o desgaste emocional provocado pela constante incerteza. Na última madrugada, a família tentou agir rápido com o avanço acelerado do nível do rio, mas não conseguiu salvar os pertences a tempo.

Segundo a moradora, o apoio logístico de caminhões não chegou ao local antes que as vias fossem totalmente bloqueadas pela inundação, fazendo com que móveis e bens ficassem presos no interior do imóvel tomado pela água.

Diante do cenário de previsões meteorológicas e comunicados de órgãos de monitoramento, Amanda expressa um sentimento de desconfiança compartilhado por vizinhos que já viram suas casas serem completamente cobertas no passado.

"Sua mãe já sofre o tempo inteiro por causa dessas enchentes, até no psicológico. Desta vez também falaram que não era para tirar nada e, na outra enchente, subimos as coisas para o segundo piso e tampou tudo, tampou a casa inteira. Com água não dá para confiar", desabafou.

Entenda a nova crise no Rio Grande do Sul

  • Municípios afetados: Cerca de 150 cidades gaúchas foram atingidas por fortes tempestades nos últimos dias, resultando no transbordamento de rios e em centenas de pessoas desabrigadas pelo estado.
  • Situação no Vale do Taquari: Região historicamente vulnerável a eventos climáticos, o Vale do Taquari voltou a entrar em alerta crítico. Em Lajeado, o Rio Taquari ultrapassou com margem a cota de inundação (fixada em 19 metros) e superou os 23 metros, com projeção da Defesa Civil de alcançar até 25 metros.
  • Operações de socorro e bloqueios: Moradores e equipes de resgate utilizam veículos pesados, tratores e embarcações para evacuar áreas de risco e resgatar pessoas ilhadas. Devido ao avanço veloz da correnteza, diversas vias foram bloqueadas pela água ou por moradores para evitar acidentes.
  • Abrigos de emergência: Locais com cota de altitude mais elevada, como o Parque do Imigrante, em Lajeado, voltaram a acolher desabrigados e servir de ponto temporário para o depósito de móveis e objetos salvos.
  • Comparativo com 2024: Embora o nível do rio cause grandes estragos operacionais e prejuízos às famílias locais, as medições atuais continuam abaixo das marcas do evento catastrófico de maio de 2024, quando o Rio Taquari ultrapassou os 30 metros de altura.

Fonte: Band.
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