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Ministério da Saúde inicia projeto-piloto com canetas emagrecedoras no SUS
Guilherme Henrique Panichi, motorista de aplicativo de 39 anos, foi o primeiro paciente a receber caneta emagrecedora pelo SUS — Foto: Rafael Nascimento/MS

O Ministério da Saúde anunciou, nesta sexta-feira (26), o início do uso da semaglutida em pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) por meio de um projeto-piloto no Rio Grande do Sul. O tratamento será conduzido pelo Grupo Hospitalar Conceição, focando em pacientes com obesidade grave.

A semaglutida é o princípio ativo de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1, amplamente conhecidos como "canetas emagrecedoras". O objetivo central da iniciativa é avaliar a efetividade, o impacto clínico e o custo desse tipo de tratamento dentro da realidade do sistema público brasileiro.

Detalhes do projeto

O estudo contemplará 250 pacientes que já são acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição. O público-alvo são pessoas com obesidade grave ou associada a morbidades (como problemas cardíacos) e que possuem indicação para cirurgia bariátrica, mas que, por diversos fatores clínicos, não podem realizá-la.

Ao longo dos dois anos de duração do projeto, os pesquisadores medirão indicadores essenciais, incluindo a perda de peso, a evolução na qualidade de vida, exames clínicos, condições pós-operatórias e a viabilidade econômica do tratamento.

Para participar, os pacientes devem cumprir requisitos rigorosos:

Ter diagnóstico de obesidade há pelo menos 12 meses.

Apresentar falha documentada no tratamento convencional — como dietas estruturadas e atividade física — por, no mínimo, dois meses.

Ter capacidade de realizar a autoaplicação da medicação ou possuir um cuidador habilitado para o procedimento.

Desafios de Incorporação

A iniciativa ocorre em um contexto de debate sobre o acesso a essas tecnologias. Em agosto de 2025, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) recomendou ao Ministério da Saúde que não incorporasse a semaglutida e a liraglutida ao SUS.

O principal entrave apontado pela pasta é o alto custo. Segundo estimativas do governo, a incorporação desses fármacos poderia gerar um impacto financeiro de R$ 8 bilhões anuais aos cofres públicos, o que motivou a realização deste projeto-piloto para analisar se o custo-benefício justifica a ampliação do acesso futuramente.

Fonte: Band.
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