Um mercado de Capinópolis, no Triângulo Mineiro, foi proibido pela Justiça do Trabalho de adotar práticas que possam influenciar as escolhas políticas dos funcionários, após denúncias de assédio eleitoral. A empresa teria orientado os trabalhadores a substituir os uniformes vermelhos por camisas amarelas da Seleção Brasileira durante o fim de semana do primeiro turno das eleições de 2026. As informações foram divulgadas nesta terça-feira (20) pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MG), que pede uma indenização de R$ 150 mil por danos morais coletivos.
Segundo o MPT-MG, a denúncia foi recebida no dia 3 de outubro. A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e o Ministério Público Eleitoral (MPE) foram até o estabelecimento e confirmaram o relato. O órgão expediu uma recomendação para que a empresa interrompesse qualquer prática que pudesse interferir na liberdade política dos funcionários, mas a proposta de assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta foi recusada.
Diante da recusa, o MPT-MG acionou a Justiça, que concedeu uma tutela de urgência e determinou medidas imediatas. A empresa não pode exigir ou incentivar o uso de roupas, símbolos e adereços relacionados a candidatos, partidos ou posições políticas, nem promover manifestações político-partidárias ou divulgar conteúdos eleitorais em comunicações direcionadas aos trabalhadores.
A decisão também determina que o mercado divulgue um comunicado reafirmando o respeito à liberdade de consciência, de política e ao voto secreto. O documento deverá ser afixado em locais visíveis do estabelecimento, enviado individualmente aos funcionários e compartilhado nos grupos corporativos de mensagens.
O processo segue em tramitação na Justiça do Trabalho.