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Mendonça deixa sociedade em instituto que recebeu encontro com Vorcaro
Nelson Jr./SCO/STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu deixar a sociedade do Instituto Iter e doar a totalidade de suas cotas na entidade, sem qualquer contrapartida financeira, segundo notas divulgadas por ele e pelo instituto.

De acordo com Mendonça, as cotas que pertenciam a ele e à esposa permanecerão integralmente destinadas a fins sociais e educacionais. O Instituto Iter, criado em 2024, será transformado em entidade sem fins lucrativos, reforçando, segundo o ministro, a vocação exclusivamente educacional e social da iniciativa.

O ministro afirma que jamais recebeu lucros do instituto e que, mesmo antes da decisão de saída, já tinha determinado que eventuais dividendos seriam encaminhados a projetos sociais e educacionais. Após a mudança societária, ele seguirá ligado ao Iter apenas como professor, prestando serviços acadêmicos.

A decisão foi comunicada ao presidente do instituto, Victor Godoy, que orientou a adoção das providências necessárias. Em nota, a direção executiva afirma que as atividades educacionais do Iter prosseguirão normalmente, no mesmo padrão de qualidade e profissionalismo.

Encontro com Vorcaro

A saída de Mendonça da sociedade ocorre após a revelação de que ele se reuniu, em março de 2025, na sede do Instituto Iter, com o banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. O ministro admitiu a agenda e afirma que não discutiu assuntos relacionados ao Master no Banco Central.

O encontro teve como palco a própria estrutura do instituto e se tornou conhecido recentemente. Mendonça sustenta que a conversa não tratou de temas ligados à atuação do Banco Central ou de decisões regulatórias envolvendo o banco.

Iter destaca missão educacional e legalidade dos contratos

Na nota divulgada nesta quinta-feira (3), o Instituto Iter afirma que, ao longo de dois anos de atividade, não houve qualquer distribuição de lucros ou dividendos aos sócios. A direção diz que o projeto nasceu com o propósito de formar líderes e gestores de excelência, com preparo técnico, visão pública e compromisso ético, e que essa missão permanece inalterada após a saída de Mendonça do quadro societário.

A instituição ressalta que todos os cursos, eventos, contratos públicos e privados e demais ações seguem a legislação aplicável e regras de boa governança e conformidade. Sobre contratações por órgãos públicos, o Iter cita a Lei nº 14.133/2021 e destaca que programas de formação se enquadram em serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual, hipótese em que a norma admite contratação direta por inexigibilidade de licitação.

Segundo o instituto, cada programa possui concepção pedagógica, conteúdo e corpo docente próprios, o que impediria a comparação objetiva de preços entre diferentes ofertas. A direção enfatiza que, em todos os casos, cabe ao órgão contratante escolher a modalidade de contratação, instruir o processo com parecer jurídico, justificativa de preço e autorização da autoridade competente, divulgando-o de forma pública e transparente.

O Iter informa ainda que o corpo docente reúne profissionais de reconhecida trajetória em suas áreas e que a direção executiva está a cargo de Victor Godoy, ex-ministro da Educação e auditor licenciado da Controladoria-Geral da União, com mais de 18 anos de experiência em avaliação da aplicação de recursos públicos. A programação de cursos e eventos segue mantida, assim como os compromissos assumidos com alunos, professores, parceiros e instituições.

Leia a íntegra da nota de André Mendonça

Leia a íntegra da nota do Instituto Iter

Fonte: Band.
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