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Justiça nega liberdade a 4 réus pela morte de jovem em salto de rope jump

A Justiça de Limeira (SP) manteve a prisão preventiva dos quatro réus envolvidos acusados de envolvimento na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP).

O juiz Guilherme Lopes Alves Lamas negou os pedidos de revogação da prisão, agendando uma audiência de instrução para o dia 17 de setembro de 2026, às 12h30.

A 2ª Vara Criminal de Limeira entendeu que a manutenção da prisão é necessária para garantir o andamento do processo e a ordem pública. Entre os comportamentos apontados pelo magistrado estão a tentativa dos réus de apagar rastros digitais nas redes sociais, a fuga para uma área de vegetação após o ocorrido e a troca de roupas antes da abordagem policial.

Além disso, o juiz destacou que o grupo não possui empresa formalmente constituída e mantinha uma agenda pública de novos eventos, o que indica risco de que as atividades perigosas continuassem caso fossem soltos. Medidas alternativas, como a proibição de frequentar as pontes, foram consideradas ineficazes pela dificuldade de fiscalização.

A decisão ressalta a gravidade da conduta dos acusados, mencionando uma "omissão deliberada" em medidas básicas de segurança e a prevalência de interesses econômicos sobre a proteção da vida humana. Segundo o texto judicial, os indícios de autoria e a materialidade do crime são concretos, revelando uma indiferença extrema em relação à vítima.

O magistrado também descartou argumentos das defesas sobre bons antecedentes ou a existência de filhos menores, afirmando que tais condições não impedem a prisão preventiva diante de crimes hediondos contra a vida. O mérito da causa será discutido durante o processo legal, garantindo-se o direito de produção de provas pelas defesas na audiência marcada.

Quem são os réus

A Justiça de São Paulo aceitou, no dia 13 de julho, a denúncia do Ministério Público e tornou réus quatro acusados pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP).

A organizadora do evento, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, vai responder por homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e pelo uso de recurso que teria impedido a defesa da vítima. Ela era responsável pela empresa Entre Cordas, que atuava sem registro e autorização.

Evelyne também vai responder por fraude processual, por supostamente tentar eliminar prova considerada relevante para a investigação. A defesa de Evelyne informou que ainda analisará o teor da decisão antes de se manifestar.

Os instrutores Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, se tornaram réus por homicídio com dolo eventual, com as mesmas qualificadoras atribuídas à organizadora.

Os três foram presos em flagrante logo após a morte da jovem e, ainda durante o inquérito policial, tiveram as prisões convertidas em preventivas. Nesta segunda-feira, a Justiça também decretou a prisão preventiva de Evelyne. A investigação em relação a outros suspeitos que não chegaram a ser indiciados foi arquivada.

Relembre o caso

Maria Eduarda, de 21 anos, morreu no dia 13 de junho. Em um vídeo é possível ver o momento em que os instrutores levantam a vítima e a projetam para fora da estrutura, sem as cordas de segurança.

O acidente aconteceu na Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP).

Acusação

A denúncia descreve que o grupo responsável pelos saltos de rope jump atuava sem definição clara de funções entre os integrantes e explorava comercialmente a atividade sem cumprir exigências legais. Além disso, segundo o MP, os responsáveis priorizavam interesses econômicos e a divulgação dos saltos em redes sociais em detrimento da segurança dos participantes.

Ainda de acordo com a acusação, Evelyne (a organizadora) não interrompeu os saltos mesmo após uma falha operacional ocorrida anteriormente.

Sumiço da câmera ainda é investigado

A Polícia Civil não conseguiu localizar a câmera de ação que estava presa ao braço de Maria Eduarda. O equipamento foi retirado do local, e os investigadores ainda não identificaram quem o levou.

De acordo com o inquérito, uma testemunha relatou que a organizadora “mencionou expressamente” a necessidade de apagar o vídeo do salto. O relatório policial indica que ao menos três pessoas disseram ter visto um homem retirar a câmera da vítima, mas nenhuma conseguiu reconhecê-lo.

O desaparecimento do equipamento continua sob apuração, enquanto a polícia aguarda o resultado da perícia em celulares apreendidos.

Fonte: Band.
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