A Justiça Federal determina o bloqueio de R$ 387,6 milhões em bens das empresas Gerdau e Intermarítima, investigadas por causarem contaminação ambiental na Praia de São Tomé de Paripe, localizada no subúrbio de Salvador. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal para assegurar recursos financeiros destinados à futura recuperação do ecossistema costeiro e marinho afetado.
A medida cautelar decorre de laudos periciais que calculam em R$ 387 milhões o custo total necessário para conter e remediar os poluentes químicos na região. As autoridades ambientais mantêm a recomendação para que a população evite o banho de mar e a pesca em toda a orla de São Tomé de Paripe.
Considerada uma das praias mais tradicionais da capital baiana, o local registra o surgimento contínuo de manchas amareladas e azuladas na faixa de areia e na água há pelo menos seis meses. Testes laboratoriais confirmam que a contaminação é provocada pelo descarte irregular de altas concentrações de cobre e nitrato.
Indícios de contaminação e terminal portuário
A investigação conduzida pela Polícia Federal aponta como foco principal das descargas químicas o terminal de armazenamento de cargas instalado nas imediações da praia. O biólogo Francisco Kelmo destaca que o processo de recuperação ambiental na área exige ações científicas imediatas para conter a degradação da fauna marinha.
As empresas investigadas negam responsabilidade direta sobre o vazamento dos compostos químicos, mas respondem judicialmente pelas obrigações de reparação e conformidade ambiental.
Impacto socioeconômico e auxílio aos pescadores
A interdição das atividades marítimas paralisa o trabalho de comunidades tradicionais que dependem economicamente dos recursos naturais da Baía de Todos-os-Santos. Pescadores artesanais e marisqueiras da região enfrentam a perda total de renda devido à proibição de captura de peixes, siris e mariscos contaminados pelas substâncias químicas. Para amenizar o desabastecimento das famílias, órgãos públicos e entidades locais realizam a distribuição emergencial de cestas básicas para cerca de 800 famílias cadastradas no bairro.
"A ajuda é bem-vinda, mas não dá para complementar o mês. É uma ajudazinha, porque a maré era melhor", relata a marisqueira Maria de Fátima Silva em entrevista ao Jornal da Band