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Guerra na fronteira: operação integrada tenta sufocar rota do tráfico em AM

No coração da Amazônia, as forças de segurança brasileiras travam uma batalha diária contra o avanço das duas maiores facções criminosas do país: o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV).

Polícia flagra extração ilegal de ouro na Amazônia e rota do PCC e CVTráfico na fronteira de Rondônia tem olheiros e pacto entre PCC e CV

Em uma operação conjunta que reúne as polícias de Rondônia e do Acre, além do Exército Brasileiro e da Polícia Federal, o foco é o distrito de Abunã e a cidade de Guajará-Mirim, pontos estratégicos de escoamento de ilícitos vindos da Bolívia.

A BR-364, via vital que liga o Acre ao Mato Grosso, tornou-se o cenário de uma "disputa sangrenta" territorial entre as facções. Localizado a cerca de 200 km de Porto Velho e a 130 km da fronteira boliviana, o distrito de Abunã é um gargalo de fiscalização onde as autoridades realizam abordagens minuciosas em caminhões, ônibus e táxis.

Segundo as forças de segurança, o trabalho de inteligência é fundamental, pois qualquer sinal de adulteração nos veículos pode ocultar esconderijos de entorpecentes. Recentemente, uma operação apreendeu quatro toneladas de skank (a chamada super maconha), que eram transportadas da Bolívia ocultas em tubos industriais.

Além das estradas, o combate se estende aos rios da região. Em Guajará-Mirim, equipes da Polícia Federal e da Polícia Militar realizam patrulhamentos fluviais no Rio Mamoré, que divide o Brasil da Bolívia. A logística do crime utiliza o Mamoré para acessar os rios Madeira e Amazonas, levando a droga até os portos brasileiros para exportação, onde o lucro do crime organizado é maximizado.

A fiscalização é um desafio logístico imenso. Só em Rondônia, são 100 km de fronteira fluvial, parte de um complexo de mais de 3.500 km de divisas. A existência de diversos portos clandestinos e o difícil acesso geográfico dificultam o controle total da área pelas autoridades.

Historicamente, a Bolívia tem sido utilizada por criminosos brasileiros como refúgio e ponto de compra de entorpecentes devido a políticas de segurança menos rigorosas no passado, realidade que as autoridades afirmam estar mudando com novas parcerias bilaterais.

Durante o patrulhamento, é possível observar flagrantes de crimes transfronteiriços. Do lado boliviano, carros de luxo sem placa, possivelmente roubados no Brasil, circulam livremente. Além do tráfico de drogas, o contrabando de combustível e botijas de gás é visível em passagens ilegais.

A tensão na região é alta. Relatos indicam que civis bolivianos envolvidos em travessias ilegais agem com agressividade, chegando a atacar as próprias Forças Armadas da Bolívia com pedras durante apreensões, o que obriga o uso de embarcações blindadas com grades de proteção pelos militares locais.

Para as forças de segurança e para a população local, a sensação é de que esta batalha contra o crime organizado, travada por terra e água, está longe de terminar.

Fonte: Band.
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