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Golpe em venda de carregadores revela esquema de PCC e máfia chinesa
Divulgação/Agência SP

Uma denúncia de prejuízo insignificante em uma transação comercial comum deu origem a uma das maiores investigações sobre lavagem de dinheiro e sonegação fiscal do país. O Brasil Urgente teve acesso exclusivo às peças do inquérito policial da Operação Dark Trader, que desvendou um esquema que movimentou mais de R$ 1 bilhão em apenas sete meses. 

De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), a estrutura criminosa operava para o tráfico internacional de drogas do Primeiro Comando da Capital (PCC) em parceria com a chamada máfia chinesa.

O caso começou a ser desenhado quando um comerciante adquiriu 100 carregadores de celular para motocicletas por R$ 780. Ao retirar a mercadoria em um galpão e conferir o pedido, a vítima notou a ausência de quatro unidades, o que representava uma perda de R$ 31,20. Ao questionar a empresa, ouviu de uma representante que nada poderia ser feito. Pouco tempo depois, o mesmo comerciante comprou 40 balanças digitais por R$ 560, mas recebeu oito unidades a menos, totalizando um novo prejuízo de R$ 112.

Diante do descaso da empresa e das irregularidades nas notas fiscais, que eram emitidas com valores inferiores aos das vendas reais, o homem registrou um boletim de ocorrência. O que parecia ser um pequeno golpe contra o consumidor revelou-se a ponta de um iceberg de uma organização criminosa complexa.

Operação Dark Trader e o fluxo do dinheiro

A investigação aponta que as notas fiscais eram emitidas em nome da empresa Vanuchi Comércio de Produtos Importados e Nacionais que, no papel, deveria funcionar em Barueri, na Grande São Paulo. Entretanto, as vendas eram operadas pela Knup Importação e Exportação, com sede no bairro do Bom Retiro, região central da capital paulista.

A polícia identificou Daniela Aparecida Valdi, de 45 anos, como a coordenadora do esquema e a pessoa que mantinha contato direto com as vítimas via aplicativos de mensagem. Outro nome central na estrutura é Sebastião Roberto da Silva, apontado pelo DEIC como o "laranja" da quadrilha. Com uma extensa ficha criminal, Silva é suspeito de possuir ligações diretas com o PCC e era o responsável por pulverizar o capital em empresas de fachada e contas interpostas para fazer o dinheiro desaparecer do radar das autoridades financeiras.

Conexão internacional e foragidos

O suposto líder da organização foi identificado como o chinês Yifeng Jiang, de 34 anos. Segundo as apurações compartilhadas no Brasil Urgente, Jiang comandava a integração entre os interesses da máfia chinesa e a necessidade de escoamento de capitais do tráfico de drogas da facção brasileira.

Yifeng Jiang, contudo, não foi capturado. Ele viajou para a China poucos dias antes da deflagração da operação policial e agora é considerado foragido da Justiça. A polícia segue com o monitoramento das contas vinculadas ao grupo e busca identificar outros integrantes que colaboravam na operacionalização logística das mercadorias importadas, que serviam como lastro para a lavagem dos recursos ilícitos.

Fonte: Band.
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