A TV Globo planeja liberar Carminha e Tufão para estrelar campanhas publicitárias durante a exibição de Avenida Brasil 2, continuação da novela prevista para estrear em janeiro. A iniciativa marca uma virada histórica na postura comercial da emissora, que pretende aproveitar a força dos personagens de Adriana Esteves e Murilo Benício fora da trama para atrair marcas e quebrar recordes de receita.
A informação foi antecipada pelo colunista Gabriel Vaquer, da Folha de S.Paulo, e debatida na tarde desta segunda-feira (12) no Melhor da Tarde. O departamento de marketing da emissora já apresenta planos ao mercado publicitário para incluir os personagens no ecossistema comercial das marcas, apostando no forte apelo afetivo do público com a dupla.
Meta interna busca superar R$ 200 milhões
O objetivo da emissora é transformar a sequência no folhetim mais rentável da sua história, ultrapassando os números do remake de Vale Tudo exibido em 2025. A produção anterior arrecadou cerca de R$ 200 milhões em cotas publicitárias, estabelecendo o patamar que a nova produção de João Emanuel Carneiro pretende superar.
Diferentemente de 2012, quando a exibição original parou o Brasil e o canal chegou a vetar uma propaganda com Benício caracterizado de Tufão por falta de autorização prévia, o momento atual prevê flexibilidade. Em vez de restringir a imagem dos personagens, a ordem interna é abrir as portas do folhetim para parcerias e patrocinadores fixos.
Merchandising excessivo vira preocupação no estúdio
Durante a roda de conversa no programa, a equipe avaliou o impacto dessa estratégia comercial na qualidade da narrativa e no desenvolvimento dos capítulos. Chris Flores alertou para os riscos de o excesso de publicidade comprometer o ritmo do texto, citando experiências recentes da teledramaturgia que deixaram a dramaturgia em segundo plano.
Para a apresentadora, encher a história de ações comerciais pode prejudicar a experiência do telespectador. Thiago Pasqualotto destacou que alcançar o faturamento desejado é uma meta viável para o canal, mas ressaltou o perigo de criar capítulos desprovidos de sentido apenas para acomodar anúncios de produtos.