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Fotógrafa brasileira é finalista de prêmio mundial com foto de peixe 'chocado'

A fotógrafa subaquática brasileira Fabi Fregonesi alcançou a final do prêmio internacional Nikon Comedy Wildlife Awards 2026, com o registro de um pequeno peixe blênio que exibe uma expressão de espanto semelhante à reação humana. A imagem, batizada como "Perdi a hora do despertador?" ("Did I Sleep Past My Alarm?"), retrata o animal marinho no momento em que se alimenta nas águas de Curaçao.

O concurso selecionou 43 fotografias para a fase decisiva entre mais de 10 mil inscrições enviadas por participantes de 112 países. Criada em 2015, a competição reúne cenas bem-humoradas da fauna silvestre para aproximar a sociedade da natureza e reforçar a preservação ambiental. Os ganhadores da disputa receberão os prêmios em cerimônia marcada para o dia 8 de dezembro, em Londres.

Paciência e desafio técnico no fundo do mar

Única representante do Brasil entre os finalistas da premiação, Fabi explica que a captura exigiu longas horas de espera e monitoramento contínuo do animal.

"Passei vários mergulhos esperando exatamente aquele momento. O blênio é um animal extremamente pequeno, rápido e imprevisível. Eu sabia qual imagem queria capturar, mas transformar isso em realidade exigiu muita paciência e inúmeras tentativas."

A execução da fotografia demandou lentes especiais de super macro com ampliação de dez vezes. Esse equipamento amplia detalhes minúsculos das espécies oceânicas, mas reduz o campo de foco e exige estabilidade do profissional diante das correntes marítimas.

Virada profissional e carreira corporativa

Antes de consolidar o nome nas artes visuais e no mergulho, Fabi acumulou 18 anos de trabalho no mercado corporativo e atuou na área publicitária do Google. Aos 40 anos, a profissional optou pela transição de carreira após planejar a reserva financeira necessária para se dedicar exclusivamente à nova ocupação.

A reflexão sobre as prioridades pessoais ganhou força em 2023, quando a profissional enfrentou complicações de diverticulite com perfuração intestinal, quadro que demandou cirurgia e quatro internações. Em 2024, a saída da empresa permitiu a transição definitiva para os registros marinhos.

"Existe uma ideia de que mudanças de carreira acontecem apenas porque alguém decidiu largar tudo e seguir um sonho. Não foi assim comigo. Eu mergulhava desde 2009 e fotografava debaixo d'água desde 2012. Construí um novo caminho durante anos até estar pronta para seguir por ele."

Premiações no exterior e preservação marinha

O reconhecimento nos circuitos especializados colocou a fotógrafa como a primeira brasileira a alcançar o pódio do Underwater Photographer of the Year, considerado o principal concurso da área no planeta. Na ocasião, ela conquistou o terceiro lugar na categoria Naufrágios ("Wrecks"), disputada por mais de 6.500 imagens de competidores internacionais.

Em dois anos de atuação em tempo integral, Fabi já acumula mais de 30 distinções globais, com trabalhos destacados no One Eyeland Award e no Sony World Photography Awards. Para ela, a fotografia subaquática atua diretamente na proteção das espécies.

"Meu principal objetivo sempre foi mostrar que os animais marinhos têm personalidade própria. Muitas pessoas nunca terão a oportunidade de ver essas criaturas de perto. A fotografia permite criar essa ponte e revelar que existe um universo fascinante debaixo d'água que merece ser conhecido e protegido."

O público pode votar na foto brasileira pela categoria People's Choice Award na página oficial da premiação na internet. Além da cerimônia de premiação em Londres, as obras finalistas participarão de uma exposição aberta ao público na Oxo Gallery entre 9 e 13 de dezembro.

Fonte: Band.
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