A Penitenciária Federal de Brasília, principal unidade de segurança máxima do País, mantém em isolamento total alguns dos criminosos mais perigosos do Brasil — entre eles Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, chefão do PCC. Uma equipe da Band recebeu autorização para entrar no presídio e acompanhar a rotina que afasta esses presos do comando do crime organizado nas ruas.
A unidade funciona como uma fortaleza blindada contra ameaças terrestres e aéreas. Atiradores de elite ficam de prontidão em uma torre de 18 metros, e policiais penais vigiam o local 24 horas por dia. Além de Marcola, cumprem pena ali chefões da máfia italiana, milicianos, megatraficantes e até um espião russo.
O controle começa na entrada. O portão principal tem oito camadas de blindagem, somadas a várias barreiras eletrônicas, e nada passa sem inspeção rigorosa – relógios, celulares e objetos pessoais ficam retidos.
Segundo a diretora da unidade, Amanda Jaqueline Teixeira, a estrutura foi desenhada para um perfil do “preso de alta periculosidade, é um preso que impacta a vida do Estado."
São, ao todo, 208 celas individuais distribuídas em quatro pavilhões. O número de presos na unidade é mantido em sigilo; e apenas o total das cinco penitenciárias federais, que somam 550 detentos, é divulgado. Por questões de segurança, cada unidade pode ocupar no máximo 70% da capacidade.
A cela não tem energia elétrica, apenas uma janela; a água morna sai em horário determinado pela direção. Roupas de frio, calçados e itens de higiene são fornecidos pela unidade, e o preso pode manter livros, revistas, papel, caneta e correspondências — tudo lido e monitorado pelos policiais penais.
O isolamento é o princípio que organiza toda a rotina. O atendimento básico de saúde é feito dentro do presídio, para evitar escoltas externas que abram brechas na vigilância. Nesses atendimentos, os presos ficam algemados pelas mãos e, muitas vezes, também pelos pés.
As visitas seguem a mesma lógica: não há contato físico com familiares ou advogados. Detento e visitante ficam separados por um vidro blindado, no parlatório, e conversam por interfone. Tudo é gravado em áudio e vídeo e monitorado em tempo real pelo setor de inteligência.
De acordo com o diretor da Polícia Penal Federal, Marcelo Stona, havendo indícios de crime durante a conversa, o agente pode interromper a comunicação, gravar o conteúdo e encaminhá-lo à Justiça — além de checar divergências entre o que o preso fala e o que gesticula.
É justamente para cortar a influência dos chefes sobre as facções que o sistema federal existe, e foi esse o motivo que levou Marcola para lá, sob segurança máxima desde 2019. No isolamento, sua principal atividade é a leitura de livros da biblioteca.
Um grupo restrito de detentos pode ir ao mesmo tempo para o banho de sol, em um pequeno pátio onde caminham, se exercitam e conversam, sempre sob monitoramento. Cabe ao setor de inteligência definir quem pode ficar junto.
Marcola, por exemplo, nunca divide o espaço com o irmão, Marcolinha, nem com outros integrantes da cúpula do PCC, como Fuminho e Barbará. Num País em que as facções desafiam diariamente o Estado, a penitenciária representa a tentativa mais rigorosa de manter o controle sobre esses criminosos.