José Miguel Silva Junior, advogado da família da soldado Gisele Alves Santana, declarou ao Bora Brasil que os familiares da policial estão destroçados, mas, agora, tem um momento de paz com a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.
Ele foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, no interior de São Paulo, e foi encaminhado para a delegacia na capital paulista que investiga o caso. O tenente-coronel foi indiciado por feminicídio e fraude processual.
“A família simplesmente confiou sempre que tal fato (prisão) iria acontecer. A família não aceitava, e tinha fundamentos para não aceitar essa versão de que Gisele teria cometido suicídio. Embora destroçada, a família tem um momento agora de paz com a prisão do tenente-coronel, porque a família já tinha convicção de que Gisele - como está comprovado agora tecnicamente - foi assassinada”, disse o advogado.
Ao Bora Brasil, o advogado da família Gisele Alves Santana lembrou que os familiares tiveram que passar pelo sofrimento de exumação do corpo da soldado e falou ainda do sofrimento da família da policial.
“Na hora que eu comuniquei à família que haveria a necessidade de exumar o corpo, foi um sofrimento terrível para aquela família novamente. A família passa por um momento muito difícil, principalmente para a neném, que pede pela mãe todos os dias”, afirmou o advogado.
“É uma dificuldade enorme lidar com isso, principalmente porque o tenente-coronel partiu para a agressividade: primeiro, imputou à filha aquelas marcas no pescoço; depois, imputou à própria Gisele ter premeditado a sua morte para incriminá-lo”, continuou. “Isso mostra o completo desequilíbrio do tenente-coronel, que não pode conviver em sociedade”.
Prisão do tenente-coronel
Geraldo Leite Rosa Neto foi prbeso na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, no interior de São Paulo. Ele será levado ao 8º Distrito Policial, na Zona Leste da capital paulista.
O mandado de prisão foi solicitado pela polícia nesta terça-feira (17) e cumprido nesta quarta-feira, por equipe da Corregedoria da Polícia Militar, com acompanhamento por equipe do 8º Distrito Policial.
Ele foi conduzido para a capital paulista, onde deverá ser interrogado e formalmente indiciado no inquérito policial. Posteriormente, deverá passar por exames de corpo de delito, e seguirá à disposição da Justiça no Presídio Militar Romão Gomes.
No curso das investigações, foram identificadas divergências relevantes entre as declarações prestadas pelo investigado, especialmente no que se refere ao relacionamento do casal e aos fatos que teriam motivado o suposto suicídio da vítima.
Também foram constatadas inconsistências significativas quanto à conduta do tenente-coronel após o disparo da arma, até a formalização da ocorrência, o que compromete a credibilidade de sua versão.
As provas periciais e médico-legais, analisadas pela Polícia Técnico-Científica, indicam a inviabilidade da hipótese de suicídio, além de apontarem indícios de alteração do local do crime. Outros detalhes não serão divulgados neste momento, em razão de o procedimento tramitar sob segredo de justiça.