A Polícia Civil e o Ministério Público deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, apontada como a maior ação já realizada contra o crime organizado no Brasil. A operação cumpriu mandados de busca e apreensão em sete estados para desarticular um esquema bilionário da máfia dos combustíveis associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A investigação revelou a utilização de fundos de investimentos, empresas de fachada e uma usina de etanol para ocultar que a aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana foi realizada por suspeitos com ligações com o PCC.
Os dois apontados como chefes da organização criminosa estão foragidos: Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", e Mohamed Russe Murad, o "Primo". Segundo o Ministério Público, a dupla recorreu a empresas laranjas para esconder a compra de imóveis e da distribuidora.
A rota dos R$ 100 milhões e o triângulo financeiro
Segundo dados da Receita Federal, mais de R$ 100 milhões foram repassados por diversas empresas e instituições financeiras para uma usina de açúcar e álcool no interior de São Paulo, responsável por financiar a transação.
No papel, a usina pertencia ao fundo Entre Investimentos, de propriedade do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o "Mineiro", que teve endereços vasculhados pela polícia. O trajeto do dinheiro seguiu os seguintes passos:
- A usina repassou os recursos para um fundo de investimentos;
- O fundo transferiu os valores para o Banco Genial;
- O Banco Genial concedeu um empréstimo para as empresas do laranja de Beto Louco e Primo, que concretizaram a compra da Terrana.
Alvos da operação e posição do banco
Um dos alvos de busca e apreensão foi Humberto Artur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial. Agentes permaneceram cerca de três horas em seu apartamento, no Rio de Janeiro. Em nota, o Banco Genial declarou que colabora com as autoridades e informou que Tupinambá foi destituído e deixou de ser sócio da instituição em maio.
As autoridades alertam que diversas fintechs, bancos e administradoras deixam de emitir alertas aos órgãos de fiscalização ou acabam capturados a serviço do crime organizado. O foco dos investigadores agora é reconstruir o caminho completo do dinheiro para confirmar os beneficiários finais.
Relação com o Caso Master e o filme 'Dark Horse'
O empresário "Mineiro" acumula citações em outras apurações. Apontado como operador do banqueiro Daniel Vorcaro, ele fechou acordo de delação premiada na investigação sobre fraudes no Banco Master. Além disso, seu nome aparece nas apurações sobre o financiamento de "Dark Horse", filme que retrata a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.