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Deolane rebate acusações em carta e diz estar presa por "pura perseguição"

Pela primeira vez desde que foi detida em Tupi Paulista, a influenciadora e advogada Deolane Bezerra se pronunciou sobre as investigações que levaram à sua prisão. Em uma carta ditada por ela e transcrita pela irmã, a advogada contesta as acusações de participação em crimes organizados e refuta a narrativa de que teria um esquema complexo de lavagem de dinheiro, alegando ser alvo de "pura perseguição".

O que diz Deolane Bezerra?

No texto, Deolane Bezerra declara ser uma "formadora de opinião" e sustenta que sua prisão é motivada por preconceito e exposição midiática. A influenciadora justifica a movimentação financeira que levantou suspeitas das autoridades, afirmando que o valor de R$ 24.500,00 registrado em sua conta refere-se a honorários advocatícios recebidos em espécie na época em que atuava ativamente no Direito criminal, e não a valores provenientes de esquemas de lavagem de dinheiro.

A advogada também nega categoricamente a acusação de ser proprietária de 37 empresas, classificando a informação como uma "mentira que se tornou verdade de tantas vezes que foi repetida". Segundo ela, uma consulta simples à Junta Comercial poderia comprovar que tal dado não condiz com a realidade.

Contexto das investigações

Além de negar os crimes financeiros, Deolane Bezerra refutou qualquer ligação com a penitenciária de Presidente Venceslau, local onde teriam sido encontrados bilhetes atribuídos a integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC). A influenciadora reforçou sua trajetória como profissional do Direito e empresária:

Não sou e nunca fui bandida. Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor.

A prisão da influenciadora faz parte de um inquérito mais amplo, iniciado em 2019, que investiga crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Enquanto a defesa busca reverter a situação, a carta termina com um pedido de apoio aos fãs: "Conto com as orações e o apoio de quem sempre esteve comigo. Mais uma vez, vocês não irão se arrepender. Um beijo a todos! Fé, já estou por aí esperando a próxima injustiça a ser combatida".

Leia a carta na íntegra:

"Bom dia, Brasil, de novo! Mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição e por ser formadora de opinião. Isso já dura mais de cinco anos, afinal até pela morte do Kevin eu fui acusada. Sobre esse processo gostaria de expressar minha indignação, já que nunca fiz parte do crime organizado. Reitero a minha inocência e deixo claro que estou presa pela quantia de R$ 24.500 (valor de honorários que recebi na época como ADVOGADA). Valor depositado em minha conta em espécie, e não pela transportadora mencionada no inquérito. Não sou eu que estou afirmando isso, essa informação está no próprio inquérito.

Peço para ser ouvida, assim como foi pedido no momento da prisão. Além do mais, desde o ano de 2022 venho sendo citada em reportagens midiáticas com tons ameaçadores e em momento algum fui chamada para prestar esclarecimentos sobre esse caso. Minha vida é pública, meu endereço é público. Nunca fui ouvida em mais de 4 anos, mas fui acordada com um fuzil apontado para o meu rosto na minha casa e presa sem ter a oportunidade de esclarecer os fatos.

É mentira que tenho 37 empresas em meu nome. Uma mentira que pode ser facilmente comprovada em uma simples pesquisa na junta comercial, uma mentira que se tornou verdade de tantas vezes que foi repetida. Fui advogada atuante em centenas de processos e nunca sequer estive presente na Penitenciária de Presidente Venceslau. Já disse muitos NÃOS para manter meus princípios e minha ética.

Não sou e nunca fui bandida! Sou mãe, sou empresária, sou advogada. Uma nordestina que venceu na vida pelo próprio suor. Que segue de cabeça erguida acreditando na justiça. Conto com as orações e o apoio de quem sempre esteve comigo. Mais uma vez, vocês não irão se arrepender. Um beijo a todos! Fé, já estou por aí esperando a próxima injustiça a ser combatida. Vocês não soltem a minha mão, não viu?".

Justiça nega pedido de prisão domiciliar de Deolane Bezerra

A Justiça de São Paulo negou o pedido de prisão domiciliar para a influenciadora e advogada Deolane Bezerra, presa sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro, associação com o tráfico e vínculos com a facção criminosa PCC. A decisão mantém a influenciadora na ala especial da Penitenciária de Tupi Paulista, unidade destinada a presas com curso superior.

A prisão ocorreu na última quinta-feira (21), em uma mansão localizada em um condomínio de luxo em Barueri, na Grande São Paulo. Imagens da operação mostram o momento em que policiais cercam o imóvel.

A influenciadora, que havia retornado de uma viagem a Roma pouco antes da ação, estava sob monitoramento da Interpol em parceria com o Ministério Público de São Paulo. De acordo com os investigadores, a possibilidade de uma prisão ainda em território italiano chegou a ser discutida, mas a detenção acabou sendo executada na residência da influenciadora no Brasil.

Suspeita de movimentação financeira milionária

O relatório policial, detalhado pelo delegado Arthur Dian, aponta que mais de R$ 27 milhões transitaram por contas pessoais e empresas ligadas à influenciadora entre 2018 e 2022. Para a investigação, os valores indicam que ela teria atuado como uma espécie de "caixa" para ocultar e pulverizar recursos de origem ilícita.

"Em um determinado período, foram R$ 13,5 milhões e, em outro, R$ 14,5 milhões aproximadamente. Entre pessoas jurídicas e físicas ligadas à influencer, temos materialidade para isso. Não só aqueles depósitos que foram amplamente divulgados, mas movimentações posteriores bem vultosas também", explicou o delegado Arthur Dian.

As apurações que levaram à prisão tiveram início em 2019, a partir da apreensão de bilhetes atribuídos à cúpula do PCC no presídio de Presidente Venceslau, no interior paulista. A partir desse material, a polícia conseguiu identificar uma transportadora que seria utilizada como fachada para lavar dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas.

Defesa contesta as acusações

A defesa de Deolane Bezerra refuta categoricamente qualquer ligação da influenciadora com organizações criminosas. Segundo o advogado Auri Lopes Júnior, a investigação policial estaria promovendo uma mistura indevida de rendimentos lícitos com supostos valores ilícitos para sustentar uma narrativa contra sua cliente.

"A polícia mistura valores que ela recebe de forma lícita como empresária, como influencer, também como advogada, e atribui tudo isso a uma origem ilícita", afirmou Auri Lopes Júnior. A defesa sustenta que o material apresentado pela investigação cria uma versão que não condiz com a realidade dos fatos e continua trabalhando para reverter a prisão preventiva.

Deolane permanece em uma cela de cerca de oito metros quadrados na unidade prisional. A investigação segue em curso para identificar outros possíveis braços financeiros da facção e a participação de demais envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro.

Fonte: Band.
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