A influenciadora digital Deolane Bezerra foi transferida, no início da manhã desta sexta-feira (22), para uma penitenciária em Tupi Paulista, no interior de São Paulo, após passar a noite no presídio em Santana, na capital paulista.
Deolane Bezerra foi presa durante a operação Vérnix, deflagrada pela Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo nesta quinta-feira (21), contra lavagem de dinheiro da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação foi resultado de uma investigação de alta complexidade que revelou uma engrenagem financeira milionária utilizada para ocultar, dissimular e reinserir na economia formal valores vinculados à alta cúpula do PCC.
A investigação começou em 2019, quando bilhetes e manuscritos foram apreendidos pela Polícia Penal na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista, em poder de dois sentenciados.
O material revelou elementos relacionados à dinâmica interna da organização criminosa, à atuação de lideranças encarceradas e a possíveis ataques contra agentes públicos. A partir disso, a Polícia Civil passou a aprofundar as diligências, instaurando três inquéritos policiais sucessivos, cada um responsável por revelar uma nova camada da estrutura criminosa investigada.
O primeiro inquérito teve como foco direto os dois sentenciados que estavam na posse dos manuscritos. A análise do material apreendido permitiu identificar referências a ordens internas da facção, contatos com integrantes de elevada posição hierárquica e menções a ações violentas contra servidores públicos.
Esses dois indiciados foram condenados e inseridos no sistema penitenciário federal. Ocorre que dentre os trechos analisados, chamou atenção a citação a uma “mulher da transportadora”, que teria levantado endereços de agentes públicos para subsidiar ataques planejados pela organização criminosa.
Essa menção deu origem ao segundo inquérito policial, que buscou identificar quem seria a mulher mencionada nos bilhetes e qual seria a relação da transportadora com o grupo criminoso.
Fintechs e a 'explosão' de recursos do PCC
A Polícia Civil de São Paulo fez uma análise financeira de quase uma década de movimentações de recursos que ligam a cúpula do PCC à advogada e influenciadora Deolane Bezerra Santos e constatou que o uso de fintechs fez explodir o total de valores movimentados pelo grupo criminoso.
A informação consta da representação da Polícia Civil à Justiça pela decretação da prisão dos suspeitos, entre eles Deolane e o líder da facção, Marco Camacho, o Marcola ou "Narigudo".
A conclusão dos investigadores sobre a "explosão" provocada pelo uso de fintechs pelo crime organizado se baseia na análise do período de movimentações financeiras de Deolane, no período de 9 de julho de 2022 a 9 de maio de 2024, para o grupo de pessoas físicas e jurídicas por ela usadas.
A análise comparativa com os relatórios do giro financeiro de 2018 a 2022 evidencia, segundo a polícia, "uma alteração substancial no padrão econômico-financeiro da investigada e de suas empresas, revelando incremento significativo de créditos e interações financeiras, especialmente a partir do segundo semestre de 2022".
Um primeiro relatório demonstra movimentações atípicas, porém, "mais moderadas, que não ultrapassavam R$ 1 milhão". O segundo relatório abarca o "salto exponencial no volume de recursos, com destaque para o ingresso de mais de R$ 30 milhões provenientes de empresas de meios de pagamento, inclusive fintechs".