A Polícia Civil de São Paulo indiciou a influenciadora Deolane Bezerra e Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do PCC, pelos crimes de integrar organização criminosa armada e lavagem de dinheiro nesta sexta-feira (29). O indiciamento ocorre após a conclusão do relatório final da Operação Vérnix, que investiga a recepção de valores de uma transportadora ligada à facção. Deolane Bezerra foi presa no dia 21 de maio, em Alphaville, e agora o caso segue para análise do Ministério Público.
Entenda o que significa o indiciamento
Segundo as autoridades policiais, a apreensão de materiais durante a operação produziu novos elementos que fortalecem a tese de autoria e materialidade dos crimes. A delegada Maria Corsato explicou, em entrevista a Leo Dias e Chris Flores, que o indiciamento marca o fim da dúvida para a autoridade policial.
A delegada afirma que o delegado só indicia quando está convencido da culpa. "Para a polícia, quando o delegado indicia alguém, ele não tem mais dúvida de que foi aquela pessoa que cometeu o crime", detalhou Maria Corsato. Agora, cabe ao Ministério Público decidir se oferece a denúncia à Justiça.
Chances de liberdade provisória
O Tribunal de Justiça de São Paulo, considerado o mais sobrecarregado do país, deve processar o caso de forma reservada. Corsato avalia que o julgamento pode levar cerca de um ano até ser concluído. Pela gravidade dos crimes, ela afirma que a chance de uma liberdade provisória por habeas corpus é remota.
Um dos pontos centrais da investigação é a discrepância entre o que Deolane Bezerra alega e o que o Coaf aponta. A defesa da influenciadora sustenta que os valores recebidos, em torno de R$ 24,5 mil, são referentes a honorários por serviços advocatícios prestados a um cliente.
No entanto, a delegada ressalta que as movimentações detectadas são milionárias e envolvem empresas sem capacidade financeira. "O Coaf aponta uma infinidade de transações, entre elas uma empresa de Salvador que enviou 600 mil reais para a conta da empresa dela", explicou.
Segundo a investigação, o dono dessa empresa baiana seria uma pessoa humilde, com renda mensal incompatível com tais repasses. "O dono da empresa é semi-analfabeto e recebe 800 ou 900 reais por mês. Como ele arruma 800 mil reais para mandar? Que serviço ela prestou?", questionou Maria Corsato.
A delegada também rebateu a possibilidade de Deolane Bezerra ser beneficiada pela prisão domiciliar por ter uma filha menor de 12 anos. Maria Corsato argumenta que a legislação prevê a liberação apenas quando a criança não tem outro cuidador, o que não se aplica ao caso.
Isso porque a filha tem avó, tias, pai e irmãos maiores. Além disso, relembrou o histórico recente da influenciadora. "A Deolane não ficou na Fazenda quase três meses? Ela viajou para a Itália e ficou 20 dias sem a filha. Isso desconsidera essa questão da menina", concluiu a delegada.