A Justiça de São Paulo condenou cinco réus acusados de lavar dinheiro para Cláudio Marcos de Almeida, conhecido como Django, traficante ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O criminoso foi encontrado morto embaixo de um viaduto na Vila Matilde, na Zona Leste de São Paulo, em janeiro de 2022.
Os cinco homens foram denunciados ao Ministério Público de São Paulo por Vinicius Gritzbach, morto no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a acusação, o grupo lavou dinheiro do tráfico na aquisição de duas casas de luxo em um condomínio fechado em Bertioga, no litoral norte do estado. Os imóveis, avaliados em quase R$ 5 milhões, teriam sido comprados por Django com a intermediação dos réus, entre eles um tio e um primo de Gritzbach que atuam como corretores de imóveis.
Penas e regimes de cumprimento
As penas aplicadas pelo juiz da Vara Especializada em Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro variam entre seis e nove anos. Dos cinco condenados, apenas Ademir Pereira de Andrade vai cumprir pena em regime inicialmente fechado. Os outros quatro réus foram condenados ao regime semiaberto.
Apontado como uma espécie de agiota do PCC, Ademir já havia sido denunciado por Gritzbach em um depoimento anterior ao Ministério Público, ao lado de outras dez pessoas, incluindo sete policiais civis. Ele é investigado por lavagem de dinheiro, sonegação, associação para o tráfico e homicídio de um policial militar. A investigação aponta que ele financiava a compra de drogas e auxiliava na aquisição de imóveis de luxo na Zona Leste da capital paulista.
No ano passado, Ademir obteve o benefício de responder ao processo em regime domiciliar devido a problemas de saúde. O delegado Fábio Baena, também citado por Gritzbach, aguarda o julgamento em liberdade.
Desdobramentos da investigação
A guerra interna entre integrantes do PCC teve início com as execuções de Anselmo Becheli Santa Fausta, conhecido como "Carapreta", e Antonio Corona Neto, o "Sem Sangue". Apontado como mandante do crime, Vinicius Gritzbach foi assassinado dois anos depois com disparos de fuzil no desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.
A Polícia Civil apontou um oficial e dois soldados da Polícia Militar como os executores do homicídio de Gritzbach.