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Delator do Master soma R$ 176 mi em 570 registros de prêmios e apostas
Foto: Divulgação/Grupo Entre

O empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, alvo da nova fase da Operação Carbono Oculto, aparece como “ganhador” em 570 comunicações de prêmios e apostas que somam mais de R$ 176,4 milhões entre 2020 e 2025. Os registros constam de relatórios de inteligência financeira citados na decisão da Justiça de São Paulo que autorizou medidas da investigação.

O documento, assinado pelo juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, da 2ª Vara Criminal de Catanduva, aponta o valor exato de R$ 176.454.302. A decisão também menciona comunicações de operações imobiliárias de R$ 1,67 bilhão associadas ao empresário, além de movimentações em dinheiro vivo de R$ 1,21 milhão.

Freixo também aparece nas investigações sobre o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conforme reportagem publicada pela Band, ele afirmou, em delação premiada, ter enviado pouco mais de US$ 12 milhões ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, para custear a produção. Segundo seu relato, as transferências ocorreram por determinação de Daniel Vorcaro, do Banco Master, após pedidos do senador Flávio Bolsonaro.

Na investigação sobre o setor de combustíveis, o Grupo Entre Investimentos, de Freixo, é apontado pelo Ministério Público como prestador de serviços de lavagem de dinheiro. A decisão descreve movimentações da Entre Investimentos: R$ 187,9 milhões enviados à Arka Distribuidora, R$ 32,48 milhões recebidos da Duvale e R$ 2,84 milhões transferidos ao escritório Garcia Peres.

O documento cita ainda a Logics4u e a Pmovil, que movimentaram, respectivamente, mais de R$ 1,2 bilhão e R$ 200 milhões. Segundo a decisão, os volumes, em empresas com capital social reduzido, apresentam sinais de confusão patrimonial.

Outro trecho relaciona a Entre Investimentos ao financiamento da compra da distribuidora Terrana. De acordo com a Justiça, a empresa depositou R$ 20 milhões em uma conta da Usina Itajobi em dezembro de 2024. O valor foi integralmente repassado ao fundo Radford, em uma movimentação descrita como uso de conta de passagem.

Segundo a investigação, fundos de investimento e empresas de fachada teriam sido usados para ocultar os responsáveis pela aquisição da distribuidora e a origem dos recursos. A decisão aponta indícios de organização criminosa e lavagem de dinheiro e autoriza buscas para aprofundar a apuração.

Deflagrada nesta quinta-feira (24) pela Receita Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Operação Crédito Oculto é um desdobramento da Carbono Oculto. A ação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 empresas, em sete estados

Fonte: Band.
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