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Defesa de Vorcaro quer fechar delação ainda nesta semana
Divulgação/PF

A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do liquidado Banco Master, formalizou o início das negociações para um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). O primeiro passo foi a assinatura de um termo de confidencialidade entre as partes, que estabelece o sigilo das tratativas. A expectativa é que um memorial com os detalhes da colaboração, incluindo nomes de possíveis envolvidos, provas, e a estrutura do esquema criminoso, seja apresentado até o final desta semana.

Preso desde o início de março na Operação Compliance Zero, Vorcaro foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a Superintendência da PF, na mesma cidade. A mudança, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), tem como objetivo acelerar as conversas com os investigadores e facilitar o processo de negociação do acordo. Advogados do banqueiro já se reuniram com o ministro para tratar da colaboração.

A decisão de Vorcaro de colaborar com a Justiça se intensificou após o STF manter sua prisão em regime de segurança máxima. Para a delação, o banqueiro trocou sua equipe de advogados, contratando o criminalista José Luís Oliveira Lima, que já atuou em outros grandes acordos de colaboração, como o do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, na Operação Lava Jato.

As investigações da Operação Compliance Zero

Daniel Vorcaro é investigado por liderar um esquema bilionário de fraudes financeiras, que levou à liquidação do Banco Master pelo Banco Central no final de 2025. As acusações, apuradas na Operação Compliance Zero, incluem a emissão de títulos de crédito falsos, lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas e formação de uma "milícia privada" para ameaçar e intimidar desafetos, incluindo jornalistas e ex-funcionários.

A Polícia Federal aponta que Vorcaro teria comandado um grupo para planejar agressões físicas contra profissionais da imprensa. Além das fraudes financeiras, a investigação apura o pagamento de propina a servidores do Banco Central em troca de informações privilegiadas. Na operação que resultou na prisão do banqueiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões.

O que esperar da delação

A expectativa em Brasília é que o acordo de delação de Daniel Vorcaro, caso seja homologado pelo STF, tenha potencial para atingir figuras importantes dos três Poderes. Segundo fontes próximas à investigação, a lista de nomes a serem delatados pode incluir políticos, empresários e membros do Judiciário, com quem o banqueiro mantinha relações.

Para que o acordo seja validado, a defesa de Vorcaro precisará apresentar provas concretas que confirmem as acusações feitas por ele. Além de confessar os próprios crimes, o banqueiro terá que detalhar a participação de cada um dos envolvidos no esquema. Em troca da colaboração, ele pode obter benefícios legais, como a redução de sua pena. O ministro André Mendonça, no entanto, já sinalizou que não aceitará uma delação "pela metade", que tente preservar eventuais envolvidos.

Fonte: Band.
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