O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça autorizou que, após os procedimentos iniciais na Polícia Federal, os presos na Operação Compliance Zero, realizada na manhã desta quarta-feira (4), sejam encaminhados ao sistema penitenciário estadual, ou seja, presídios comuns.
Primeiro ficam na Polícia Federal apenas para registro, identificação, formalidades, e audiência de custódia. Depois, serão transferidos para presídios estaduais comuns, onde permanecem à disposição do STF. Estado fica responsável por custódia, escolta e estrutura.
A justificativa é que as unidades da PF são estruturas de trânsito, não têm estrutura para manter presos por longo período.
Daniel Vorcaro preso
A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quarta-feira (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A prisão foi realizada durante a terceira fase da operação Compliance Zero, que apura a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.
Além disso, também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, para interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.
Operação Compliance Zero
Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.
As investigações começaram em 2024, depois que o Ministério Público Federal requisitou que se investigasse a possível fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira.
Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada, informou a PF na ocasião.
Vorcaro foi detido um dia após a Fictor Holding Financeira ter anunciado que compraria o Master.
Na segunda fase da operação, deflagrada em janeiro, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também houve medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.
A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.