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Daniel Vorcaro é transferido para o presídio de Potim (SP)

O banqueiro, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido na manhã desta quinta-feira (5), para o presídio de Potim, no interior de São Paulo. A informação foi confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP).

Na tarde desta quarta-feira (4), Daniel Vorcaro foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Guarulhos, na Grande São Paulo, após decisão judicial que manteve sua prisão.

A prisão do banqueiro foi realizada durante a terceira fase da operação Compliance Zero, que apura a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.

Estão sendo cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, nos estados de São Paulo e Minas Gerais. As investigações contaram com o apoio do Banco Central do Brasil.

Além disso, também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e sequestro e bloqueio de bens, no valor de até R$ 22 bilhões, para interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas.

Investigação da Polícia Federal

Segundo as investigações da Polícia Federal, a organização era liderada por Vorcaro e dividida em quatro núcleos distintos. O primeiro, o núcleo financeiro, era responsável por estruturar fraudes contra o sistema financeiro nacional. O segundo, de corrupção institucional, tinha como objetivo corromper servidores do Banco Central para obter vantagens indevidas.

O terceiro núcleo era dedicado à lavagem de dinheiro. As apurações da PF indicam que mais de R$ 2 bilhões teriam sido movimentados para uma conta em nome de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Por fim, o quarto núcleo, de intimidação, era encarregado de realizar o monitoramento ilegal de adversários, jornalistas e autoridades.

De acordo com o inquérito, a organização mantinha uma milícia privada, apelidada de "A Turma". Este grupo era financiado para obter informações sigilosas, monitorar pessoas e intimidar qualquer um que contrariasse os interesses de Daniel Vorcaro. O líder operacional desse braço armado foi identificado como Luiz Felipe Machado de Moraes Mourão, que cometeu suicídio na cadeia em Minas Gerais. Mourão era tratado como "sicário", termo usado para designar um assassino de aluguel. Em trocas de mensagens interceptadas, Mourão afirmava que Vorcaro enviava um "mensal" que era dividido entre os membros do grupo.

As investigações também revelaram ameaças diretas a profissionais da imprensa. Em uma das conversas, Daniel Vorcaro manifestou o desejo de forjar um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, afirmando que queria "quebrar todos os dentes" dele. Para a Polícia Federal, os diálogos demonstram uma clara tentativa de calar a imprensa e intimidar vozes contrárias.

A decisão do ministro André Mendonça também destaca que há fortes indícios de que Mourão recebia R$ 1 milhão por mês de Vorcaro, através de seu cunhado, Fabiano Zettel. Além dos dois, foi preso um policial federal aposentado, Maurício Roseno da Silva, acusado de coordenar a vigilância clandestina dos alvos, utilizando sua experiência e aparatos da corporação para auxiliar o esquema.

A PF afirma que o grupo utilizava credenciais de terceiros para acessar ilegalmente dados sigilosos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e de órgãos internacionais como a Interpol e o FBI. A defesa de Vorcaro nega todas as acusações e afirma que seu cliente jamais tentou obstruir as investigações. As autoridades apontam que, mesmo após ser solto em novembro do ano passado, o esquema continuou, com ocultação de recursos e a contratação de influenciadores para atacar o Banco Central nas redes sociais.

Operação Compliance Zero

Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da primeira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados.

Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.

As investigações começaram em 2024, depois que o Ministério Público Federal requisitou que se investigasse a possível fabricação de carteiras de crédito falsas por uma instituição financeira.

Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada, informou a PF na ocasião. 

Vorcaro foi detido um dia após a Fictor Holding Financeira ter anunciado que compraria o Master.

Na segunda fase da operação, deflagrada em janeiro, a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo STF, em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Também houve medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.

A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.

Fonte: Band.
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