A votação do processo de impeachment do presidente do São Paulo, Julio Casares, tem causado confusão entre torcedores e aumentado a crise tricolor. As constantes mudanças de regras, provocadas por divergências internas, criaram um cenário de incerteza sobre o evento, que está marcada para esta sexta-feira (16).
O processo de impeachment é motivado por "gestão temerária" e polêmicas financeiras, que causaram investigações recentemente. Nesta segunda (12), a Justiça entrou no caso e fez mudanças nas regras do pleito. Para esclarecer o cenário, o Band.com.br responde abaixo às principais dúvidas sobre a votação.
O que mudou com a decisão judicial?
A liminar alterou dois pilares fundamentais da votação: o formato e a matemática necessária para a aprovação. Até então, a presidência do Conselho exigia presença física. A Justiça determinou a obrigatoriedade do formato híbrido (presencial e online). A liminar também fixou o quórum de aprovação em dois terços dos votos, ou seja, 171 conselheiros. A situação defendia que eram necessários 191 votos.
A decisão judicial pode ser derrubada?
Sim. A defesa de Julio Casares e o departamento jurídico do clube já entraram com recurso para tentar cassar a liminar. O argumento central da diretoria é que a intervenção do Poder Judiciário fere a autonomia da agremiação e desrespeita o estatuto aprovado pelos sócios. Caso o recurso seja aceito antes de sexta-feira, as regras podem mudar de novo.
Quais serão as regras da votação?
Se a liminar for mantida, o rito seguirá as seguintes diretrizes na sexta-feira:
Voto Híbrido - o sistema deve permitir que conselheiros votem tanto no Salão Nobre do Morumbi quanto remotamente.
Sigilo - o voto é secreto. A organização precisará garantir uma plataforma online que assegure a confidencialidade da escolha.
Quórum - são necessários 171 votos a favor do impeachment para a destituição.
Eleitorado - apenas os membros titulares e vitalícios do Conselho Deliberativo têm direito a voto. São 254 conselheiros aptos.
Quais são as chances do impeachment ser aprovado?
A decisão judicial fortaleceu as chances da oposição, que já estava se fortalecendo. Recentemente quatro grupos que apoiavam Casares se afastaram. Nem todos declaram voto a favor do impeachment. Mas juntos podem chegar a cerca de 180 conselheiros, o que já seria suficiente para derrubar Casares.
O presidente tem apoio incondicional de dois grupos, que totalizam 67 conselheiros neste momento.
A votação corre risco de ser adiada?
Existe essa possibilidade. O cenário depende inteiramente dos desdobramentos na Justiça. Se o recurso do clube for julgado procedente ou se houver uma nova decisão que suspenda os efeitos da liminar, a votação pode ser adiada para evitar uma judicialização.
Quem assumirá a presidência se o impeachment for aprovado?
Harry Massis Junior, vice-presidente do São Paulo, é quem comandará o clube até o fim do ano. Ele é membro do grupo político Vanguarda, que deixou a coalizão e votará contra Casares.
Aos 80 anos, Massis é sócio do clube desde 1964, virou conselheiro vitalício e ocupa a vice-presidência desde 2021. Ele é dono do Hotel Massis, na Consolação, em São Paulo.