O mercado de pescados registra um crescimento expressivo neste início de 2026, impulsionado pelo período da Quaresma, quando o consumo de carne vermelha é tradicionalmente substituído pelo peixe. No topo da preferência nacional, a tilápia se consolida como a espécie mais consumida no país, movimentando uma cadeia produtiva que vai muito além das celebrações religiosas.
Em Regente Feijó, no oeste paulista, a alta na procura transformou a rotina das propriedades rurais. Na fazenda do piscicultor Rafael Mazuchelli, a produção saltou de 1,5 milhão para 2 milhões de cabeças para atender ao aumento da demanda. A estrutura conta com 13 tanques escavados e 12 circulares suspensos, sistemas que garantem a escala necessária para o mercado.
Abastecimento regional e sistemas de produção
A produção de tilápia do interior de São Paulo não se limita ao mercado local. De acordo com Rafael Mazuchelli, o pescado produzido em Regente Feijó abastece uma rede logística que alcança os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. A eficiência dos sistemas de produção — que alternam entre tanques de terra e tanques suspensos — permite que o produtor mantenha o fluxo de entrega para diferentes regiões de forma constante.
Embora a Quaresma seja o pico de vendas, o consumo de tilápia apresenta uma tendência de alta que se estende por todo o ano. Essa mudança no hábito alimentar do brasileiro, que passou a ver a tilápia como uma proteína cotidiana pela facilidade de preparo e sabor suave, permite que os produtores mantenham as vendas aquecidas mesmo após o período Pascal.
Cenário econômico e preços em 2026
O setor inicia o ano com notícias positivas para o faturamento dos produtores, mas que exigem atenção dos consumidores. Os primeiros meses de 2026 registraram alta nos preços do pescado na maioria das regiões produtoras do Brasil. Esse movimento é resultado de uma combinação entre a maior procura, típica do primeiro trimestre, e uma produção ligeiramente menor em algumas praças.
Segundo a análise de produtores como Mazuchelli, o aumento no valor de venda ajuda a equilibrar os custos de manutenção dos tanques e a investir em novas tecnologias de oxigenação e alimentação dos peixes. Para o setor, o desafio agora é manter a produtividade elevada para acompanhar um mercado que não dá sinais de desaquecimento, independentemente do calendário religioso.