
Uma megaoperação envolvendo diversos órgãos de segurança pública, Receita Federal e Ministério Público movimentaram a manhã desta quinta-feira (28). As centenas de alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, estão ligadas ao PCC e ao principal centro financeiro de São Paulo, localizado na Avenida Faria Lima, Zona Oeste da capital.
Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), empresas do setor de combustíveis e financeiro estão envolvidas num gigantesco esquema de fraude fiscal, adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e até ameaça de morte a donos de postos que vendiam os estabelecimentos, mas não recebiam os devidos pagamentos.
Empresas investigadas
Deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), a “Operação Carbono Oculto” cumpre 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e de 41 pessoas físicas e 255 jurídicas.
O Band.com.br teve acesso à decisão da Justiça de São Paulo que autorizou a operação. O documento destaca que as empresas Copape e Aster, formuladoras e distribuidoras de combustíveis, foram instrumentalizadas para os ilícitos de fraude fiscal estruturada, fraudes contábeis, falsidades diversas e lavagem de capitais.
A ordem judicial ainda pontua que a organização criminosa atua em todo a cadeia do setor de combustíveis, da produção à venda de material adulterado para o consumidor final, o que também engloba usinas, portos, transportadoras e até conveniências e padarias.
Veja a lista das empresas alvo de busca e apreensão
Abaixo, veja quais empresas foram alvo do Ministério Público e Receita Federal, em oito estados, por ordem da Justiça:
- ALIANÇA BIOCOMBUSTÍVEL EIRELI;
- ARARAS QUÍMICA DO BRASIL EIRELI;
- BRASLIMP QUÍMICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO EM GERAL LTDA.;
- DIAMOND CHEMICAL SOLVENTES LTDA.;
- GPC QUÍMICA S/A;
- INDÚSTRIA DE COSMÉTICOS VALE PETRO LTDA.;
- INDÚSTRIA DSW LOGÍSTICA EM GERAL LTDA;
- IPÊ BIOCOMBUSTÍVEL LTDA.;
- LOG FUEL TRANSPORTES LTDA.;
- MALTA TRANSPORTES RODOVIÁRIOS;
- MANNABIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO, PRODUÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO LTDA.;
- QUANTIQ DISTRIBUIDORA LTDA.;
- OREONN IND. E COMÉRCIO DE ÓLEOS VEGETAIS E QUÍMICAS LTDA.;
- QUÍMICA ARAGUAYA INDÚSTRIA, COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA.;
- QUIMICOLOR INDÚSTRIA E COMÉRCIO EM GERAL LTDA.;
- ROYAL QUÍMICA LTDA.;
- BK INSTITUIÇÃO DE PAGAMENTO S.A.;
- CATTALINI TERMINAIS MARÍTIMOS S.A.;
Fintechs suspeitas
Além das empresas do setor de combustíveis, fintechs, instituições financeiras que não são bancos tradicionais, são usadas, amplamente, pela organização criminosa. Segundo a investigação, a BK Instituição de Pagamento (BK Bank) e Bankrow agiam de forma coordenada para ocultarem “a origem e destino de valores, utilizando ‘contas bolsões’ que inibem o sistema antilavagem de capitais”.
Nesta manhã, as autoridades cumpriram mandados na sede da BK Bank, na Avenida Faria Lima. A investigação também identificou ao menos R$ 30 bilhões do suposto grupo criminoso em fundos de investimentos, tática que busca ocultar e blindar os bens de origem ilícita.