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Comércio ilegal de ouro avança e roubo de alianças sobe 68% em São Paulo

A disparada na cotação do metal precioso nos últimos anos impulsiona o comércio ilegal de ouro no estado de São Paulo. O mercado clandestino atrai grupos criminosos focados no roubo de joias, item que superou os aparelhos celulares na preferência de assaltantes devido à facilidade de revenda e à ausência de rastreamento. Uma apuração revelou a facilidade para negociar peças sem procedência no comércio popular do Largo 13 de Maio, em Santo Amaro, na Zona Sul da capital paulista.

Durante o levantamento, o repórter percorreu seis estabelecimentos voltados à compra de joias. Em cinco locais visitados, os comerciantes só mencionaram a necessidade de apresentação de nota fiscal após serem questionados diretamente sobre a exigência. Em um dos pontos, o avaliador ofereceu R$ 70 por uma corrente de 0,5 grama, valor quase quatro vezes abaixo da cotação oficial do dia, que estava em R$ 519,76 a grama.

Em outro estabelecimento indicado na região, a transação foi aceita sem nenhum pedido de comprovante de compra. O comerciante concordou em pagar R$ 170 à vista pela mesma peça de 0,5 grama, oferecendo o repasse imediato em dinheiro ou por meio de transferência via Pix.

A Receita Federal determinou, em 2023, a obrigatoriedade da emissão de nota fiscal eletrônica para as operações de compra e venda de ouro. A regra visa coibir o comércio ilegal e a lavagem de dinheiro, mas estabelecimentos clandestinos continuam a descumprir as normas tributárias. Nos últimos dez anos, o preço da grama do ouro subiu de cerca de R$ 100 para patamares próximos a R$ 600. O aumento expressivo atraiu quadrilhas para a abordagem a pedestres e motoristas.

Ao contrário dos telefones celulares, que possuem mecanismos de rastreamento remoto e aplicativos com bloqueios contra invasão, as peças de ouro são facilmente fracionadas, fundidas e reinseridas no mercado. Mesmo aceitando valores desvalorizados na venda para receptadores, os envolvidos nos assaltos obtêm retorno financeiro rápido ao acumular diferentes itens subtraídos em sequência.

O estado de São Paulo contabilizou 1.333 boletins de ocorrência de roubo de aliança nos três primeiros meses deste ano. O volume representa uma média diária de 22 ocorrências e uma elevação de 68% na comparação com o primeiro trimestre do ano anterior, período em que foram somados 851 registros.

As estatísticas oficiais compilam o número de boletins lavrados pela Polícia Civil. Como muitos casos envolvem casais roubados na mesma ação, a quantidade real de alianças levadas é superior ao total de registros formalizados.

O interesse dos criminosos pelas joias tem provocado ocorrências violentas no estado. Na capital paulista, um homem de 68 anos foi atingido por um tiro na cabeça durante o roubo de sua aliança. Na residência do suspeito detido pela polícia, foram apreendidas seis correntes de ouro.

Em Osasco, na Região Metropolitana de São Paulo, um casal que trafegava de moto parou em um semáforo e acabou abordado por dois homens armados. Um policial militar de folga presenciou o assalto e disparou contra os criminosos; um dos suspeitos morreu no local.

No bairro da Vila Maria, na Zona Norte da cidade de São Paulo, outro policial militar à paisana e a esposa também foram alvo de criminosos. Os assaltantes levaram a aliança e a corrente de ouro do PM, além da arma funcional da vítima, que falhou no momento em que um dos envolvidos tentou utilizá-la contra o agente antes de fugir.

Fonte: Band.
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