O preço do chocolate subiu 25% em relação ao ano passado, embora o valor do cacau pago ao produtor rural tenha registrado queda no mesmo período. O fenômeno gera especulação e dificuldade de compreensão por parte dos consumidores, que esperavam preços mais baixos diante da desvalorização da principal matéria-prima do setor.
O mercado de chocolate envolve diversas etapas, desde o plantio na lavoura até o processamento industrial e a fabricação final. No campo, produtores enfrentam um cenário de desvalorização, enquanto nas gôndolas dos supermercados o produto final chega com reajustes que superam a inflação.
Por que o chocolate está mais caro?
A alta nos preços do varejo é explicada pelo tempo de processamento da indústria e pelo ciclo de compra da matéria-prima. Segundo analistas do setor, o chocolate vendido nesta Páscoa foi produzido com cacau adquirido em períodos de cotações muito mais elevadas na bolsa de valores.
A indústria nacional aproveitou momentos de facilidade na importação, mas o estoque atual reflete custos de produção antigos. Dessa forma, a queda recente no preço do cacau só deve ser sentida pelo consumidor final em datas festivas futuras, possivelmente na Páscoa de 2027.
Crise nos derivados e falta de políticas
Outro fator que pressiona a cadeia produtiva é o enfraquecimento do mercado internacional e local para os derivados do cacau, como a manteiga e o licor. O baixo consumo desses componentes pelas fábricas gera um desequilíbrio financeiro que acaba sendo repassado para o preço final dos ovos e barras de chocolate.
Produtores de regiões tradicionais, como a Bahia, criticam a falta de políticas públicas que valorizem o cacau brasileiro. Para o setor produtivo, o governo federal não enxerga o potencial da qualidade do produto nacional, o que favorece a concorrência externa e prejudica o incentivo à produção de excelência no Brasil.
Composição e exigências de qualidade
A qualidade do chocolate é determinada pela quantidade de componentes nobres em sua fórmula. A legislação brasileira exige, por exemplo, um mínimo de 20% de manteiga de cacau para a composição do chocolate branco.
Já para outros tipos de chocolate, não há uma exigência mínima tão rigorosa, mas a presença desses ingredientes pesam significativamente nos custos industriais. A manteiga de cacau é um dos itens mais caros e essenciais, determinando não apenas o sabor e a textura, mas também a viabilidade econômica do produto no mercado varejista.