A Polícia Federal marcou para o dia 30 de setembro os depoimentos do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de seu pai, o empresário Henrique Vorcaro. As oitivas buscam aprofundar as investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o Banco Master e fraudes em operações financeiras com o Banco de Brasília (BRB).
A definição da nova data ocorre após o reagendamento dos depoimentos em função do clima de tensão no Supremo Tribunal Federal (STF), que enfrenta uma crise institucional desde a divulgação de trocas de mensagens entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O depoimento do banqueiro estava previsto para meados de setembro, mas foi adiado devido à sessão plenária do STF destinada a avaliar desdobramentos sobre a conduta do magistrado.
Histórico de prisões e rede de relacionamentos
Daniel Vorcaro foi detido pela primeira vez em novembro do ano passado sob a acusação de emitir títulos de crédito falsos, ocasião em que tentava fugir do país e o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. Ele obteve liberdade temporária, mas voltou a ser preso em março.
As investigações da PF revelaram uma extensa rede de contatos mantida pelo banqueiro, englobando políticos dos Poderes Executivo e Legislativo, como os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
Atuação de Henrique Vorcaro na Operação Compliance Zero
A inclusão de Henrique Vorcaro nos depoimentos da PF fundamenta-se nas investigações sobre o núcleo familiar e operacional da organização. Henrique foi preso pela Polícia Federal em Nova Lima (MG) durante a 6ª fase da Operação Compliance Zero, em maio deste ano.
Segundo as autoridades, Henrique atuava de forma autônoma e em colaboração direta com o filho, exercendo funções de operador financeiro, demandante e beneficiário do grupo investigado sob a alcunha de "A Turma". Mensagens obtidas no celular do policial federal aposentado Marilson Roseno indicam que Henrique continuou solicitando serviços ilícitos e fornecendo recursos para a manutenção da engrenagem criminosa mesmo após o início das fases ostensivas da operação.